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Jornal da Madeira / Pedras Vivas / 2009-01-11
O Santo mais popular deste mês de Janeiro
Santo Amaro na devoção popular
AA Igreja universal celebra Santo Amaro na próxima quinta feira, dia 15 de Janeiro. A tradição manda «varrer os armários» neste dia, nas paróquias onde Santo Amaro está popularizado, e noutras no Santo Antão, S. Vicente ou S. Sebastião, estendendo-se a alegria do Natal a estas festas populares do mês de Janeiro.
A devoção ao Santo Amaro, talvez o santo mais popular deste mês, terá vindo nas caravelas dos descobridores e colonizadores da era de quinhentos. Dessa época datam os testemunhos, os padrões mais eloquentes dessa devoção, que são as capelas mandadas erguer em sua honra e as consequentes romarias a esses centros de devoção, algumas das quais mantidas até aos nossos dias, como é o caso concreto do Paul do Mar, Santa Cruz e Santo Amaro, nas cercanias do Funchal.
Na nossa diocese, pelo menos quatro capelas foram erguidas e dedicadas a Santo Amaro, o herdeiro espiritual de S. Bento.
A mais antiga será certamente a Capela de Santo Amaro em Santo António, no Funchal, fundada em 1460 por Garcia Homem de Sousa, o fidalgo continental que veio para casar e com efeito casou com D. Catarina da Câmara, filha de Zarco.
No Paul do Mar, em data desconhecida, mas provavelmente nos fins do século XV, João Anes de Couto Cardoso, um dos mais antigos povoadores que teve terras de sesmarias no Paul e Jardim do mar, mandou erguer uma capela dedicada a Santo Amaro, que depois serviu também de sede paroquial. Se tivermos em conta que o filho do fundador, Francisco de Couto Cardoso, que institui um morgadio nessa localidade, falece em Maio de 1542, e o seu pai está sepultado na capela, podemos concluir que a capela deve ter sido edificada nos mesmos primórdios da colonização, ou seja ainda no século XV.
Na beira da estrada que conduz à Lombada dos Esmeraldos, na Ponta do Sol, existe uma capela dedicada a Santo Amaro, que se afirma ter sido construída nos fins do século XV, por João Esmeraldo.
Em Santa Cruz foi edificada pelo povo, em ano que se desconhece, uma capela dedicada a Santo Amaro. Tão só esta circunstância de ter sido edificada pelo povo, denota que a devoção ao Santo Amaro estaria já muito espalhada nesta zona leste da Madeira. Desconhece-se, porém, a data da fundação. Isso mesmo já disseram os Visitadores em 1538: «Achamos outra ermida, logo pegada à de S. José, com a invocação de Santo Amaro, a qual não se sabe quem a fundou nem quem deu autorização para a fundar».
Estas quatro capelas são, portanto, testemunhos eloquentes da devoção ao Santo Amaro trazida pelos primeiros colonizadores da Madeira.

O Santo Amaro Padroeiro

O Santo Amaro é Padroeiro das paróquias do Paúl do Mar e de Santo Amaro, em Santo António do Funchal, desde a sua criação.
Acontece, porém que a Paróquia do Paul do Mar foi criada por Carta Regia de 28 de Dezembro de 1676 e teve por sede a antiga capela a ele dedicada. Tem, portanto, foros de tradição. O Santo Amaro continua a ser objecto de intensa devoção, não só nos seus paroquianos, como também nas paróquias circunvizinhas do sudoeste da Ilha, sobretudo dos Prazeres, Fajã da Ovelha, Calheta, Estreito e Arco da Calheta, e ainda da Ribeira da Janela que continuam a ir em romaria ao Santo Amaro do Paul do Mar.
Aqui, no Paul, são ainda os homens do mar, sobretudo os emigrantes, os que demonstram maior devoção pelo Santo Amaro, nomeadamente os que se fixaram no Panamá, em S. Francisco da Califórnia, no Equador, na África do Sul e na Austrália, na cidade de Pert.
O Santo Amaro na paróquia do Paúl do Mar não é apenas tradição histórica, é vida que se vive intensamente, dia-a-dia, e que tem o seu pólo intensivo nos festejos do 15 de Janeiro.
A paróquia de Santo Amaro em Santo António foi criada tão somente a 24 de Novembro de 1960, há portanto apenas quarenta e dois anos, e também teve por sede a antiga capela. A devoção a Santo Amaro que tem sido alimentada durante séculos, na sua própria capela, tem tendência a intensificar-se com a nova igreja, pois têm-se verificado maior afluência de devotos, vindos também de muitas paróquias da Ilha, também com predominância na presença dos emigrantes filhos da terra.
O Santo Amaro em Santa Cruz, muito embora não seja o padroeiro, ofusca todas as restantes devoções, inclusive a do padroeiro, o divino Salvador, cujo papel de padroeiro, quase passa despercebido. Um é o titular do padroado e outro é o padroeiro de facto. Um é no papel, e o outro é-o na fé do povo.
Santo Amaro é o centro de todas as atenções, agradecimentos e súplicas, em muitas e diversificadas ocasiões da vida. Basta ler com olhos de fé a Procissão da véspera, em que a imagem de Santo Amaro é trazida para a igreja Matriz: respeito, fé, expressões de gratidão e de súplica eloquente de devotos que, em número incontável, se incorporam e se agrupam naquele pequenino trajecto! E não são só da paróquia. Os devotos vão de toda a Ilha.
Na capela de Santo Amaro na Ponta do Sol, outrora também centro de grande romaria, o facto de se ter restaurado o pequeno templo, já é um sintoma positivo no querer avivar a tradição.

Festa da Conversão de São Paulo no Funchal

No dia 25 deste mês, Festa da Conversão de São Paulo, terá lugar no Funchal um conjunto de actividades para dar a conhecer a vida e a obra teológica do grande Apóstolo.
Esta realização, recorde-se, foi sugerida por D. António Carrilho em Nota Pastoral sobre o Ano Paulino: “Coincidindo o dia 25 de Janeiro, Festa da Conversão de São Paulo, com um domingo, poderá cada Arciprestado organizar uma grande celebração paulina, integradora das suas diversas paróquias.
O facto de estar prevista, nesse dia, por parte da Conferência Episcopal, uma grande celebração nacional, na Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, não impede que se tomem tais iniciativas na nossa Diocese; pelo contrário, elas serão sinal de comunhão eclesial entre todas as Dioceses, num dia com especial significado no programa do Ano Paulino.”.
Em relação às paróquias do Funchal foi constituída uma comissão para a elaboração do respectivo programa que, “após várias reuniões foi decidido que seria mais conveniente fazer quatro celebrações à mesma hora”, seguindo-se diversas acções com base nas Cartas de S. Paulo, informa um comunicado assinado pelo Pe. João Carlos Gomes.
Assim, logo pela manhã, às 10 horas, haverá a “Abertura das Tendas” no centro da cidade:
Carta aos Efésios -Junto à Sé
Carta aos Coríntios- Cais
Carta aos Romanos- Largo do Colégio
Carta aos Colossenses- frente ao Teatro Municipal
O objectivo: anunciar o evangelho da Paz no coração da cidade. Dentro de cada tenda haverá um grupo dinamizador (escuteiros e Jovens). As pessoas são convidadas a transcrever um versículo ou mais das cartas de São Paulo, serão distribuídos separadores com frases, e oração de São Paulo.

Celebração Eucarística, às 15 horas:
Igreja do Colégio- Carta aos Romanos (Livramento, Monte, Imaculado Coração de Maria, Santa Luzia, Curral das Freiras, Boa Nova e Bom Sucesso);
Sé Catedral- Carta aos Efésios (São Gonçalo, Santa Maria Maior, Fátima, Nazaré, São Martinho, Espírito Santo e Piedade)
Igreja do Carmo- Carta aos Colossenses (São Roque, São José, Santo António, Santa Rita, Santo Amaro)
São Pedro- Carta aos Coríntios ( Visitação, Graça, Alámos, Sagrada Família, São Pedro)
Actividades de Rua (ver à Descoberta de Paulo, pessoas devem inscrever-se), às 16h e 15.
Concerto-Igreja do Colégio, às 17 horas
Encerramento Festivo no Jardim Municipal, às 18h e 30.
“Convidamos as comunidades cristãs e respectivos pastores a partiparem nesta celebração de unidade e comunhão do nosso arciprestado. Solicitamos que os catequistas e os catequizandos também possam participar nas actividades de rua nas horas que for mais conveniente. “
Entretanto, “no dia 24 de Janeiro, às 21 horas, no Anfiteatro do Jardim Municipal, terá lugar a exibição do filme sobre a vida de São Paulo”.
 

Artigo de Pedras Vivas
 
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