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Domingo, 1 de Agosto de 2010
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Jornal da Madeira / Economia / 2010-02-08
Tal como já o fazem com os electrodomésticos
Portugueses não optam por casas eficientes
Os edifícios bioclimáticos permitem um ambiente mais confortável e gastam menos energia, sendo mais económicos, mas os portugueses ainda resistem a optar por estas casas, por falta de sensibilização e também pelo preço inicial, que pode ser mais elevado.
A orientação do edifício, com as divisões mais utilizadas viradas a sul, a distribuição das áreas envidraçadas, a ventilação e a forma de utilizar os materiais são fatores decisivos para obter uma casa bioclimática, ou seja, uma casa que "responde" bem às condições do clima, sem grandes necessidades energéticas.
Porém, na hora de comprar um imóvel, os portugueses não questionam a eficiência energética da construção, como já fazem quando adquirem um frigorífico, por exemplo. Estão mais preocupados com o preço e a localização do novo lar.

Projectar edifício tendo em conta a sua envolvência

Segundo alguns técnicos do setor, as casas bioclimáticas apresentam um preço inicial mais elevado, um acréscimo recuperado a médio ou longo prazo, com a redução dos custos energéticos. Outras opiniões referem que se trata de usar os mesmos materiais, mas de forma diferente, o que não implica aumento de investimento.
"A arquitetura bioclimática consiste em projetar um edifício tendo em conta a sua envolvência climatérica e as características do local" de modo a "maximizar o conforto ambiental no interior", na temperatura e humidade, mas também na acústica, luminosidade e qualidade do ar, referiu à Lusa o diretor técnico da consultora Carbono Verde, Pedro Carvalho.
Pretende-se "ter o máximo conforto térmico com o mínimo consumo de energia", resumiu o técnico, salientando que não basta passar a habitar um edifício bioclimático, é "fundamental" que os consumidores saibam utilizá-lo, caso contrário "pode gastar-se tanto como uma casa não bioclimática".
O responsável pelo sistema de avaliação de sustentabilidade LiderA, Manuel Pinheiro, defendeu que "fazer casas bioclimáticas não é mais caro do que fazer das outras", já que se trata de optar por uma forma de construção, tendo cuidado com alguns pontos, como a orientação do edifício ou o isolamento. No entanto, "tem de ser pensado no projeto".

Arrendamento poderá ajudar à procura

Manuel Pinheiro realçou que a construção tradicional, que atendia às condições do clima, perdeu terreno, "mas está a ser retomada, a diferentes níveis" e começa a haver no mercado procura para este tipo de casa.
Em Portugal, "ainda há poucos exemplos de casas a seguir estas regras", como apontou também a técnica da DECO/Proteste Isabel Oliveira.
"Não há procura, não há oferta", resumiu o diretor geral da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS), Pais Afonso.
"Quando existir um verdadeiro mercado de arrendamento, teremos mais procura de edifícios racionais", defendeu Pais Afonso, realçando que esta é uma "razão específica" para a situação em Portugal, onde a preocupação face à sustentabilidade ambiental é mais recente do que em outros países europeus.
 

 

 

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