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| «É com agrado que digo que no primeiro trimestre do ano se dirigiram voluntariamente à sede cerca de 300 jovens para procederem à inscrição» |
«Não trabalhamos para o tacho»
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JORNAL da MADEIRA — Desde que assumiu a liderança da JSD apresentou diversas propostas. Alguma já foi aceite?
VÂNIA JESUS — Temos vindo a apresentar várias propostas, quer ao governo, quer ao parlamento regional e nacional. Recentemente vimos ser aprovada uma proposta apresentada no Orçamento de Estado para 2009 e defendida pelos deputados do PSD Madeira, na Assembleia da República. A proposta visou manter como beneficiários do ADSE todos os jovens descendentes até aos 26 anos que continuem a estudar, mesmo depois da licenciatura, ao contrário do previsto pela lei em vigor. Quanto a outras ideias e propostas apresentadas pela JSD, muitas são já uma realidade, nomeadamente as alterações no passe estudante, que entraram em vigor este ano. Para breve, temos, por exemplo, a garantia por parte da Secretaria Regional da Educação e Cultura do projecto-piloto “Apoio Escolar Online – AEO”, baseado na técnica de e-learning. O projecto iniciar-se-á nas disciplinas de Matemática e Português, por estas estarem sujeitas a prova de aferição/exame.
JM — Apresentou recentemente um pacote de treze medidas para combater o desemprego. Curiosamente, depois do Governo Regional ter anunciado um pacote com o mesmo fim. Tem calculado o impacto das suas medidas, caso o governo as aceite?
VJ — Os números são inequívocos. Apesar de a Madeira apresentar uma taxa abaixo da média nacional, não deixa de ser preocupante. Por isso, a questão do desemprego deve ser uma prioridade e o esforço terá de ser colectivo, dos governos, das empresas e dos trabalhadores. O papel da JSD será sempre o de apresentar outras ideias e novas propostas, a ver se há acolhimento. Hoje não existe nem se pode falar num emprego para toda a vida; hoje o grande desafio é encontrar um posto de trabalho. O problema do desemprego nasce no momento em que começamos a formar os nossos jovens. É preciso, de uma vez por todas, mudar o rumo do sistema de ensino no País e depois informar correctamente os alunos sobre as potencialidades de cada área de formação, as saídas profissionais, o nível de empregabilidade.
JM — Mas, insisto, qual será o impacto das vossas medidas?
VJ — Podem garantir uma maior integração de jovens, mais experiências profissionais de modo a melhor se posicionarem no mercado de trabalho. As medidas têm essa finalidade em resolver de uma forma célere muitas situações de desemprego jovem e sobretudo de emprego de recém-licenciados
JM — Entende que a Universidade da Madeira está a aproximar-se mais das necessidades do mercado de emprego? Dos actuais 722 desempregados licenciados, mais de 200 saíram da UMa...
VJ — A JSD tem trabalhado sempre com jovens e a partir das dificuldades que eles nos trazem produzimos algumas propostas. Temo-lo feito reiteradamente junto da universidade. Estivemos reunidos recentemente com o novo reitor, que se mostrou receptivo às nossas ideias. Nesse encontro, defendemos o pagamento das propinas através de modalidades de prestações mais distribuídas ao longo do ano e a agilização do processo de pagamento através de uma coordenação entre os serviços académicos e de acção social que permita, por exemplo, que o pagamento de bolsas seja feito já com o valor de propinas descontado. Por outro lado, julgo que o politécnico é uma exigência que se coloca hoje às sociedades modernas, já que um dos problemas do ensino em Portugal é ministrar cursos sem aplicabilidade ou com dificuldade de inserção no mercado de trabalho, muitas vezes por falta de conteúdo prático. A solução poderá estar, por isso, no modelo politécnico. Também defendemos a existência de mais protocolos da UMa com o tecido empresarial.
JM — Os transportes são outro tema recorrente no seu discurso. Quer tarifas especiais para os estudantes que estudam no continente e o passe único regional para os estudante de cá. Há, no entanto, críticas sobre a diferença de preços no Funchal e fora dele. Não seria preferível um sistema de tarifário único, como alguns partidos defendem?
VJ — Sob proposta da JSD, a Secretaria Regional do Turismo e Transportes reduziu os custos no passe dos estudantes. Defendemos um sistema único que permita, nomeadamente, um estudante da Ribeira Brava poder viajar de autocarro até Santa Cruz, com um único passe. Por outro lado, achamos que as transportadoras deveriam analisar e avaliar a necessidade de dar melhores respostas no que se refere ao número de carreiras existentes e horários, de forma a ir ao encontro das necessidades locais. Já relativamente ao tarifário único, será um pouco irreal porque iria onerar mais os custos que já temos com o passe, com prejuízo para o consumidor final.
JM — Ao longo dos anos, assistimos a lideranças diferenciadas dentro da JSD, como será a sua? Aproxima-se mais à de quem?
VJ — Quando se fala em lideranças, não se deve comparar. Porque cada líder tem a sua forma de trabalhar e o seu modo de passar a mensagem. Eu procuro passar a imagem de alguém que, com a ajuda de todos os militantes da Jota, defende as suas ideias. Mas dentro da JSD há diversidade de opiniões.
JM — Já teve de desmanchar algumas «quintinhas» que tenham surgido dentro da Jota?
VJ — Dentro da JSD, quem estiver por bem e quiser dar o seu contributo estamos de portas abertas. Mas todos terão de respeitar as causas e os objectivos da organização, ou seja, trabalhar para os jovens e ser a sua voz. E por isso aqueles que tenham isso na base da sua acção serão bem-vindos, aqueles que desvirtuem esta nossa forma de estar então não é na JSD que têm de estar. Aqui, na JSD, nunca tivemos conquistas dadas. Sempre foi por mérito próprio. Quando eu disse que cá dentro não há 'quintinhas', quis dizer que não há trabalho fácil. Nesta organização procuramos o reconhecimento pelo devido mérito e não como se diz por aí de que andamos aqui para o carreirismo ou para o tacho. Isso é mentira.
JM — Mas já sentiu oposição interna?
VJ — Obviamente que haverá sempre vozes discordantes. Deus, que é Deus, não agradou a todos. Mas também é bom que surjam. Quando assim é, os assuntos são discutidos internamente. Mas confesso-lhe que senti mais oposição, que nem considero oposição, na imprensa, onde há muito ruído. Aceito ideias e políticas alternativas, não posso é concordar com aqueles que fazem o ruído e não apresentam ideias alternativas. É fácil dizer mal, quando não se está por dentro.
JM — E como é que está a JSD em termos de militantes. Tem subido ou descido nos últimos anos?
VJ — Os números são dinâmicos, porque diariamente tanto temos pessoas a fazer 30 anos (data limite), como temos jovens a nos procurarem para fazer a sua militância. Mas é com agrado que digo que no primeiro trimestre do ano se dirigiram voluntariamente à sede cerca de 300 jovens para procederem à inscrição. Isto para além das outras inscrições que resultaram do trabalho feito pelas concelhias.
JM — Como viu as mudanças dos últimos tempos dentro do partido ao nível nacional?
VJ — Eu não tenho qualquer problema de consciência em dizer que não votei em Manuela Ferreira Leite, mas tenho acompanhado a sua postura e medidas que tem apresentado ao País. A imagem de seriedade sempre foi uma marca sua e antes ter uma pessoa séria que um Sócrates que metade do fogo-de-artifício mostrado aos portugueses tem mão da máquina de propaganda política. Temos visto muitas medidas avulsas e de poucos efeitos práticos na vida dos portugueses, para não falar na política de juventude que é uma miragem.
JM — Como irá mobilizar-se a JSD para os três actos eleitorais deste ano?
VJ — A JSD vai para a rua explicar aos jovens o que estará em causa em cada um dos actos eleitorais. Para tal, irá organizar-se por forma a chegar aos jovens nas escolas e noutros espaços dos diferentes territórios. Em alguns concelhos, está a ser feito o levantamento pelas freguesias para apurar as reais necessidades e dificuldades de cada um. Este trabalho servirá de base para a elaboração dos manifestos jovens autárquicos, que serão futuramente apresentados.
Proposta para bilhetes aéreos: «Alteração do regime de atribuição do actual subsídio social (reembolso dos 60 euros) a ser feita através de valor percentual do custo total do bilhete: 50% para residente acrescendo uma majoração de 15% para os passageiros estudantes de modo a salvaguardar o interesse superior dos estudantes exercerem o seu direito à educação em qualquer estabelecimento de ensino no País (continente e Regiões Autónomas)», explica Vânia Jesus. O estudante só pode usufruir do acréscimo da majoração de 15% em quatro viagens de ida e volta por ano lectivo. A proposta será agora discutida.
Vânia Andrea de Castro Jesus nasceu a 17 de Janeiro de 1979, em Santa Cruz. Em 2000, licenciou-se em História Moderna e Contemporânea, na variante e especialização em Gestão e Animação de Bens Culturais, pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa/Lisboa. Entre 2005 e 2006 fez um mestrado em Ciência Política na Universidade Complutense de Madrid. Trabalhou na Câmara de Santa Cruz e foi jornalista correspondente do JM e RJM. É actualmente deputada e líder da JSD-M. |
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