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Domingo, 1 de Agosto de 2010
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Jornal da Madeira / Região / 2009-07-01
DIA DA REGIÃO - Nélio Sousa, da direcção do Sindicato dos Professores
«Não se coaduna com facilitismos»
«A autonomia não é algo garantido nem se coaduna com ilusões ou facilitismos, que o bem-estar material das últimas duas décadas pode induzir», considera Nélio Sousa, dirigente do Sindicato de Professores da Madeira, a propósito do futuro da autonomia madeirense.
Independentemente das opções ideológicas e políticas de cada madeirense, «a autonomia é um valor comum e basilar da nossa vida colectiva, que nos situa política e culturalmente na Pátria», define Nélio Sousa, membro da direcção do Sindicato dos Professores da Madeira.
No seu ponto de vista, a autonomia é dinâmica, em dois sentidos. «Primeiro, porque possui espaço para evoluir e aperfeiçoar-se sem colocar em causa a unidade nacional. Segundo, por ser um valor estruturante, não deve restringir-se ao conceito político ou à actividade político-partidária e governativa (poder). Deve ser derramado por todos os sectores de actividade neste arquipélago, de forma a ser vivenciado e interiorizado por todos os cidadãos e instituições. É a melhor defesa da Autonomia».
Para Nélio Sousa, «cidadãos mais autónomos e auto-determinados gera uma sociedade mais empenhada, mais livre, responsável e empreendedora, capaz de, na medida das possibilidades inerentes à insularidade, ser capaz de comandar o seu destino, assumir opções e construir o futuro, da forma mais auto-sustentada possível».
O dirigente sindical considera que os desafios que se apresentam «são imensos e a Educação assume um papel decisivo, para elevar os níveis de qualificação e as aptidões da população da Região. A sociedade madeirense ainda não assumiu a Educação escolar como prioridade, para além do horizonte imediato da sobrevivência material».
«O conhecimento e a escolaridade continuam a ser desvalorizados e tarda a elevação dos níveis de qualidade da escola, em que a disciplina, o rigor, o esforço e uma atitude positiva perante o trabalho intelectual (escolar) são decisivos. Além da conquista de bem-estar, a Autonomia faz sentido para sermos melhores e mais competitivos», faz notar ainda o dirigente sindical.
Por outro lado, Nélio Sousa diz que a Madeira precisou de um braço-de-ferro para conseguir vantagens nos pós-25 de Abril de 1974, «face a um certo centralismo arreigado».
Na sua perspectiva, o essencial não é o estilo da reivindicação, mas o espaço negocial deverá ser privilegiado.
«A autonomia não é algo garantido nem se coaduna com ilusões ou facilitismos, que o bem-estar material das últimas duas décadas pode induzir. Os líderes e as instituições, sem provocar pessimismo ou desistência, deverão preparar os madeirenses para os desafios, as exigências e as dificuldades, actuais e futuras, com base nos valores da responsabilidade e do trabalho», disse ainda o professor, antes de considerar que a «autonomia deve procurar responder aos anseios da população madeirense, alguns dos quais são passíveis de serem concretizados e suportados pela própria Região».
 

 

 

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