António Rodrigues foi presidente da Junta de Freguesia da Tabua durante 33 anos, tendo deixado o cargo, no último mandato, «devido às pernas que já não se aguentam».
Ontem, o ex-autarca, que no próximo dia 17 completa 89 anos de vida, foi um dos primeiros eleitores a dirigir-se, logo pela manhã, à mesa de voto (no Centro de Saúde da Tabua) para exercer o seu dever cívico. A tarde foi reservada ao lazer. A nossa equipa de reportagem encontro-o à porta da sua mercearia, a jogar ao “cassino”. «Se não fossem as pernas..., voltava a recandidar-me», reiterou o decano, acreditando que o seu sucessor dará continuidade ao seu trabalho. Conta que, com a colaboração da Câmara Municipal, deixou obra feita naquela freguesia, nomeadamente centros de apoio a idosos e crianças. Em domingo de eleições e sem rodeios, António Rodrigues declarou: «O meu voto é PSD até morrer».
Maria estava sentada à porta do Centro de Saúde da Tabua. Assim que nos viu, exclamou: «Com esta idade (89 anos), já não voto. Os outros que escolham; eles é que sabem». Parca nas palavras, acabou por revelar, com um sorriso maroto, que, afinal, tinha votado.
Por volta das 15h00, a adesão de eleitores na Tabua era de 31%. Nas restantes mesas de voto do concelho, verificou-se também um domingo tranquilo. Algumas famílias aproveitaram o dia de sol para levar os filhos ao Parque Infantil instalado no centro, enquanto muitos turistas desfrutavam do bom clima, nas esplanadas dos cafés.
«Não há dúvida que foi uma vitória ampla do PSD», considerou Ismael Fernandes, reeleito, pela quarta vez, à Câmara Municipal da Ribeira Brava. «Ganhámos com maioria absoluta», embora não contássemos com uma abstenção tão acentuada, de 46.1%, um número próprio de umas eleições europeias e não autárquicas. Não percebemos a razão desta abstenção, porque apelámos à população para ir votar». De qualquer modo, estes resultados dão-nos ânimo para fazer um mandato, de quatro anos, melhor que o anterior». Uma das grandes apostas, avançou o autarca social-democrata, incidirá na área social.
Retrato do Concelho
A Ribeira Brava é uma das localidades mais antigas da Madeira. O município, com 65,10 km² de área, é limitado a norte pelo município de São Vicente, a leste por Câmara de Lobos, a oeste pela Ponta do Sol e a sul tem litoral no Oceano Atlântico. Tem um papel importante nas comunicações entre todos os pontos da ilha devido à sua posição geográfica.
O concelho foi criado a 6 de Maio de 1914 e é composto pelas freguesias de Ribeira Brava, Serra de Água, Tabua e Campanário.
A sua população é de 12.600 e o número de eleitores 13.577. O número de licenciados, segundo os últimos dados oficiais, é de 589.
A agricultura, o comércio e o ramo hoteleiro dinamizam as principais actividades económicas. Este munícipio contempla uma moderna unidade de Aquacultura para a produção de Dourada (peixe), junto à costa da freguesia do Campanário.
Em termos de infraestruturas desportivas, a Ribeira Brava tem o Centro Desportivo da Madeira, que inclui dois campos de futebol (um sintético e outro de relva natural), uma pista de atletismo e campos de ténis, paddel, mini-golfe, além de uma piscina de 25 metros e de um outro campo de basebol (Campanário). A nível de clubes, destaca-se o Clube Desportivo da Ribeira Brava, Associação Desportiva São João e Associação Desportiva de Campanário, que agregam centenas de jovens.
Do património cultural deste município, fazem parte a Igreja Matriz, uma pequena fortificação, o Forte de São Bento da Ribeira Brava, o Museu Etnográfico da Madeira, instalado numa antiga casa que funcionou, a partir do século XIX, como engenho de moagem de cana de açúcar e produção de aguardente e um pequeno núcleo museológico, dedicado à arte sacra. Alberga ainda a antiga residência do fundador do concelho, Francisco Correia de Herédia, visconde da Ribeira Brava. No antigo solar, datado dos séculos XVIII/XIX, situa-se o edifício da Câmara Municipal, cujo jardim possui uma grande variedade de espécies naturais. |
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