Quatro anos depois de ter ganho a última corrida eleitoral para as câmaras, em 2005, assegurando, então, a eleição de 158 presidentes de executivos municipais, o PSD voltou, nas autárquicas de ontem, a confirmar o seu estatuto de maior partido a nível do Poder Local, ao conquistar a maioria das 308 presidências de câmara em disputa.
Em Outubro de 2005, com efeito, os social-democratas, então liderados por Marques Mendes, conquistaram quase metade das presidências, 20 das quais em coligação com o CDS-PP, o PPM e o MPT.
Num ano em que se registou uma abstenção de 39,08 por cento, o PS obteve a governação de 109 municípios, a coligação PCP/PEV (CDU) de 32 e o CDS-PP e o BE, cada um, de um único executivo (Ponte de Lima e Salvaterra de Magos, respectivamente).
No escrutínio de ontem, como foi dito, o PSD voltou a conquistar maior número de presidências de câmara, um facto, de resto, sublinhado pela presidente do partido, em declarações proferidas já ao início da madrugada de hoje, numa altura em que ainda não haviam sido disponibilizados dados oficiais referentes aos totais nacionais.
Na oportunidade, Manuela Ferreira Leite fez ainda questão de frisar, que por via do resultado alcançado - incluindo em vários concelhos “importantes” - o PSD conseguiu manter a liderança da Associação Nacional de Municípios, acrescentando esperar da parte do Governo socialista equidade no seu relacionamento também com municípios laranja.
No que se relaciona com a capital, município onde a coligação Lisboa com sentido não conseguiu vencer, o respectivo cabeça-de-lista admitiu a derrota, afirmando estar "inclinado" para ficar no executivo municipal como vereador, com ou sem maioria absoluta socialista, a qual se viria a confirmar mais adiante durante a noite.
"Admito exercer o cargo de vereador quer o PS tenha a maioria absoluta quer não tenha, é absolutamente indiferente; a minha inclinação neste momento é vir a exercer esse cargo", disse Santana Lopes, quando já passava da meia-noite, na sede de campanha.
Numa altura em que ainda não estavam contados todos os votos, Santana Lopes afirmou a importância de haver uma "oposição viva, actuante, conhecedora dos dossiers, dos assuntos da governação de Lisboa, para Lisboa saber o que se passa no presente e no futuro".
"Quero ponderar e anunciarei muito brevemente se irei exercer o cargo de vereador", anunciou.
Já no Porto, onde Rui Rio (PSD/CDS) renovou a sua maioria absoluta na Câmara local, o autarca apelou ao Governo que não o olhe "como adversário político, mas como parceiro para o desenvolvimento" da cidade.
"O meu apelo é que ele (o primeiro-ministro) e o Governo "não me olhem como adversário político, mas como parceiro para o desenvolvimento do Porto", disse Rio, depois de saber que renovara e reforçara a sua maioria na segunda autarquia do país.
No seu discurso de vitória, feito na sede de campanha pouco depois das 23h00, Rio garantiu que vai continuar a dar ao Governo
"todo o respeito institucional" e pediu reciprocidade.
Da noite eleitoral há ainda a registar como factos relevantes, entre outros, as vitórias da coligação PSD/CDS-PP, que "destronou" a independente Fátima Felgueiras, em Felgeuiras, a qual recusou, já ontem, assumir o cargo de vereadora, e as vitórias de Isaltino Morais, em Oeiras, e de Valentim Loureiro, em Gondomar. |
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