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| Alberto João Jardim comenta debate do Programa de Governo |
«Classe política decadente»
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O presidente do Governo Regional assistiu ontem a uma parte da discussão do Programa de Governo da República e concluiu que «a classe política parece hoje um grande deserto».
Alberto João Jardim chegou ontem ao Porto Santo e hoje o Governo Regional reúne-se com a Câmara Municipal da ilha dourada. Ontem à tarde o presidente esteve a trabalhar, aproveitando, como é hábito, as instalações da Direcção Regional dos Serviços da Administração do Porto Santo.
Momentos antes de entrar na Direcção Regional, o líder do governo madeirense falou do debate do programa de Governo, mas esclareceu que não o acompanhou o dia inteiro.
«Eu só vi uma hora de debate antes do almoço», disse, concluindo que o que observou são «sempre as mesmas histórias».
«A avaliação dos professores, questões relacionadas com leis do trabalho e com o subsídio de desemprego. Agora, confesso que durante a hora e tal que vi o Programa de Governo, a classe política parece-me hoje um grande deserto», referiu, justificando de seguida: «Primeiro, não se debate as grandes questões do país, que reformas são preciso fazer para o país tornar a alavancar economicamente e em termos de emprego. Segundo, não aparecem as sugestões e as decisões firmes necessárias para se transformar Portugal».
Portanto, «o pouco que eu vi da discussão foi mais do mesmo», avaliou.
O presidente recorda-se ainda de ter ouvido «um indivíduo qualquer a dizer asneiras sobre o Centro Internacional de Negócios da Madeira», mas esse momento também não o surpreendeu «porque é uma classe política decadente e que diz asneiras».
«Lenga-lenga de chacha»
Sobre o que diz o Programa de Governo da Madeira, Alberto João Jardim já havia comentado no dia anterior.
Num artigo de opinião ontem publicado no Jornal da Madeira, Jardim considerou o programa de governo socialista uma cópia do «panfleto eleitoral provocatório».
«Faz festa com foguetes alheios, dizendo que continuará parte do positivo que vinha já de Governos antecedentes, mantém o revanchismo financeiro de carácter político-partidário contra o Povo Madeirense e ameaça intervir em matérias que são competência da Assembleia Legislativa da Madeira», avalia.
Ainda sobre o programa, Alberto João Jardim diz que o mesmo fala de uma futura iniciativa de Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira que, conforme a Constituição da República, «é decisão exclusiva do parlamento madeirense».
Por outro lado, «silencia-se ante a inadmissível orientação do serviço público de rádio e de televisão no arquipélago, e também consentindo intervenções e controlo da direcção de “informação” em Lisboa.
Depois Jardim pede especial atenção para uma passagem do referido programa. «E vejam esta “pérola”: “O Governo assume, naturalmente (?!... o que quer isto dizer? Ou assume, ou não assume!...) a obrigação de cumprir o disposto no Estatuto Político-Administrativo de cada uma das Regiões Autónomas relativo à titularidade dos imóveis propriedade do Estado localizados nas Regiões e que se encontram desafectos, não utilizados ou abandonados, agilizando esses processos nos casos em que a obrigação de valorizar bens do património cultural português construído, e em estado de abandono, aconselhe a transferência urgente da respectiva propriedade e tutela para o património público regional. Isto é uma lenga-lenga de chacha». |
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