Jornal da Madeira
 
Domingo, 1 de Agosto de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 
 

 

 

Jornal da Madeira / Região / 2010-03-20
O temporal do passado dia 20 de Fevereiro deixou muitas marcas, com muitas infra-estruturas destruídas, mas a normalidade vai ganhado terreno todos os dias com o esforço de reconstrução
Um mês depois a normalidade já se impõe
Passados 29 dias sobre os acontecimentos de má memória para os madeirenses, o Funchal já respira uma certa normalidade, bem visível numa rápida ronda pela cidade.
Essa normalidade é particularmente sentida pelo facto da maior parte das principais artérias da cidade estarem agora abertas à circulação automóvel. O trânsito na Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses já se faz normalmente em toda a sua extensão, sobretudo após a abertura do túnel de Santa Catarina, que faz a ligação da Avenida Calouste Gulbenkian à Rotunda de Sá Carneiro.
Todavia, neste momento, ainda existem algumas ruas que se encontram encerradas e condicionadas ao trânsito automóvel, sendo exemplo disso os troços das Ruas Brigadeiro Oudinot, entre a Rua da Infância e a Ponte do Campo da Barca, e a Rua Visconde do Anadia, onde se está a proceder ao lançamento de novas redes de saneamento básico.
No centro do Funchal encontram-se ainda interrompidos alguns arruamentos, nomeadamente a Rua Direita, Rua do Ornelas, Rua do Ribeirinho de Baixo, Rua Nova do Matadouro, Rua Ponte São Lázaro e Rua Visconde do Anadia.
Entre as ruas do centro ainda fortemente condicionadas ao trânsito encontram-se, por exemplo, a Rua do Carmo, Rua do Ribeirinho, Rua do Seminário, Rua dos Aranhas, Rua dos Tanoeiros e Rua Dr. Pestana Júnior, entre a Ponte do Campo da Barca e a Rua do Campo da Barca.
Fora do centro do Funchal existem também vários arruamentos ainda interrompidos, nomeadamente o Caminho da Eira do Lombo, Caminho da Lombada (Monte), Caminho da Ribeira Grande, Caminho das Babosas, Estrada Comandante Camacho de Freitas (entre a estrada da Fundoa e o Caminho dos Saltos e entre a Estrada do Laranjal e o Caminho do Jamboto) e Largo das Babosas, e outros fortemente condicionados como a Estrada Luso Brasileira (entre a Portada de Santo António e o Nó de acesso à Via Rápida).
Ainda no que se refere ao trânsito automóvel na cidade do Funchal há que referir que já começaram a reabrir alguns parques de estacionamento, como foi o caso do estacionamento do centro comercial Oudinot.

Prioridade à recuperação das zonas altas

Ontem, o vereador do Ambiente da Câmara Municipal do Funchal, Costa Neves, fazendo um balanço ao que se passou depois de 20 de Fevereiro no que se refere à recuperação de infraestruturas de abastecimento de água e saneamento básico na cidade, adiantou que a “prioridade foi restabelecer todo o abastecimento de água”.
Contudo, em relação à infraestrutura de saneamento básico diz que os danos são mais significativos, pois a “rede da baixa do Funchal ficou seriamente obstruída”, acentuando que a situação já está regularizada.
Costa Neves salienta que a agora a “prioridade são as zonas altas da cidade”, referindo que ali a situação “é diferente”, pois, sublinha, “houve redes que lançamos nestes 7 ou 8 anos que desapareceram completamente e estamos a fazer um levantamente exaustivo no terreno para saber o que aconteceu e o que vai ser necessário substituir”.
Assim, destaca que “vão ser abertos uma série de concursos com carácter de urgência, para que ao longo deste ano se reponham todas estas redes de saneamento básico”.
Ainda a este propósito referiu que “a extensão dos estragos é grande, desde as zonas altas de Santo António, do Monte e de São Gonçalo”, acrescentando que os custos já inventariados pela autarquia aproximam-se dos 3 milhões de euros, que “é quanto vai custar recolocar todas estas redes de saneamento básico”.

Comércio do centro vai reabrindo

Outro sinal de que as coisas estão a voltar à normalidade é a reabertura de vários estabelecimentos comerciais fortemente afectados pelo temporal do dia 20 de Fevereiro, nomeadamente nas zonas do Almirante Reis, Mercado dos Lavradores, Fernão de Ornelas ou Mercados dos Lavradores, isto para além da reabertura das lojas nos centros comerciais Dolce Vita e Marina Shopping.
Também um pouco por todas as ruas da baixa da cidade mais afectadas pela intempérie nota-se uma azáfama por parte de muitos empresários e comerciantes no sentido de reabrirem rapidamente as suas lojas, com as reparações a decorrerem a bom ritmo.
Em muitas ruas antes fechadas à circulação pedonal, e após as intensas limpezas efectuadas, que retiraram praticamente toda a lama, existe agora uma intensa circulação de pessoas, nomeadamente de turistas.
A Avenida do Mar, uma das zonas mais procuradas pelos turistas que nos visitam, também já apresenta um cenário próximo da normalidade, com os autocarros dos circuitos turísticos urbanos a volatarem a circular e as esplanadas reabertas.
Contudo, a lembrar que algo de anormal sucedeu na cidade do Funchal, é quase impossível não reparar na extensa plataforma de inertes que se estende entre o Cais da Cidade e a foz da Ribeira de Santa Luzia.

Transportes praticamente regularizados

Os transportes foram um dos sectores mais afectados pelo temporal do dia 20 de Fevereiro e que mais transtorno causou à população nas deslocações do seu dia a dia. Passado um mês sobre os acontecimentos toda a normal rede de transportes urbanos e interurbanos está praticamente reposta, subsistindo alterações em algumas carreiras, quer devido ao encerramente de arruamentos quer devido ao condicionamento de trânsito em algumas ruas e estradas.
Segundo Alcindo de Freitas, vogal do conselho de administração da Empresa Horários do Funchal, “todas as carreiras da HF estão a funcionar, algumas nos seus itenerários e percursos normais e habituais, existindo algumas carreiras que estão condicionadas em partes do itenerário e a fazerem itenerários alternativos”, realçando que essas alterações de itenerário têm a ver, nomeadamente, “com questões de segurança na circulação nas estradas e com o condicionamento destas à circulação”. Este responsável da HF realça que uma das situações que ainda se mantém de alteração de itenerário tem a ver com as carreiras (15) que têm o seu término e partida no Campo da Barca, na Rotunda de S. Tiago Menor, as quais estão dependentes da reabertura das ruas do Visconde do Anadia e do Brigadeiro Oudinot para voltarem ao seu percurso habitual.
Referiu ainda que a carreira que serve o Sítio dos Lombos, na freguesia do Monte, já deverá passar hoje nesse itenerário, destacando “que 90% da cobertura habitual de transportes da cidade e do concelho está quase normalizada”, acrescentando que “mesmo onde não podem passar carreiras há alternativas a curtas distâncias de outras carreiras”.

Cáritas Diocesana faz balanço positivo das ajudas e apoios

A acção da Cáritas Portuguesa e Diocesana a favor das “vítimas do temporal” de 20 de Fevereiro tem-se destacado através de uma eficiente coordenação, desde o primeiro dia. Quer na recolha e distribuição de produtos alimentares, roupas e donativos, em parceria com várias entidades, o trabalho da Cáritas tem sido reconhecido, mercê também dos muitos voluntários que logo se disponibilizaram na ajuda, no auxílio imediato e prioritário às populações mais afectadas.
Prioridade foi ainda o apoio no realojamento de muitas famílias, no RG3, na Casa de Saúde de São João de Deus e noutras instituições ligadas à Igreja.
“Passado um mês sobre os trágicos aconteciemntos sentimos que tem valido a pena todo o nosso esforço e dedicação”, confessou ao Jornal da Madeira o presidente da Cáritas Diocesana do Funchal, José Manuel Barbeito.
Uma grande mobilização tanto a nível nacional e regional registou-se durante as últimas semanas e ainda agora continua. “Neste momento é tempo de olhar em frente, conhecendo a realidade e as necessidades nela implicadas”, disse também D. António Carrilho ao Jornal da Madeira.
“Recebemos donativos, temos apoios”, mas agora a tarefa que se coloca é “como é que os vamos distribuir, que projectos concretos existem, o que é que compete a cada instituição, às instituições públicas, aos apoios internacionais, aquilo que são os apoios nacionais, ao que terá de ser a nossa presença e acção, digamos, a suprir e a ir além daquilo que institucionalmente se possa assegurar e garantir”, acrescentou.
Neste sábado, aliás, para se fazer uma avaliação mais completa destes apoios, o Bispo do Funchal reúne-se com os responsáveis da Cáritas, das Conferências Vicentinas e de outros organismos ligados à diocese. Trata-se de “fazer um balanço” sobre o que tem sido feito nesta matéria e quais os caminhos a prosseguir.
Entretanto, a Cáritas diocesana do Funchal continua a precisar de produtos alimentares e de higiene para ajudar as pessoas mais afectadas e que ainda se encontram abrigadas em alguns instituições de solidariedade.
A entrega das ofertas deverá ser feita nos armazéns da Cáritas, na Rua do Brasil (Nazaré) nºs 76 e 79 e Av.ª EUA, na Nazaré.
O presidente da Cáritas está “satisfeito com a forma como os madeirenses estão a responder aos apelos feitos para a ajuda aos que mais necessitam”; e agradece a todos os voluntários que “com grande dedicação têm-se mobilizado a favor desta causa.”
 

 

 

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