Jornal da Madeira
 
Quinta-Feira, 9 de Setembro de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 
 

 

 

Jornal da Madeira / Região / 2010-08-01
O secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais diz que têm sido realizadas várias intervenções, por forma a melhorar as condições de usufruto das pessoas às diferentes áreas
Governo abre espaços naturais à população
A Numa altura em que se acaba de assinalar o Dia Mundial da Conservação da Natureza, a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais aproveitou a oportunidade para manifestar e reforçar a sua aposta no usufruto do património natural da Região por parte da população, mas também dos muitos turistas que procuram a Madeira e o Porto Santo para gozo de férias.
A comprovar isso mesmo está a inauguração, na passada quarta-feira, do Centro de Recepção na Ponta de São Lourenço, no Caniçal. Em declarações ao JORNAL da MADEIRA, o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais disse que este é, de facto, «um projecto, simultaneamente, ambiental e turístico. E, por via do turismo, também económico, criando mais uma vez condições para um desenvolvimento sustentável, em que ambiente e economia têm vantagens recíprocas».
Por outro lado, referiu ainda Manuel António Correia, «melhora também as condições de usufruto das pessoas que se dirigem àquele espaço, tendo implicações na qualidade de vida e no lazer das populações. É importante para a Região, mas é também importante para a dinâmica local, nomeadamente, o Caniçal e Machico, sendo, inclusive, uma área muito frequentada não só pelos visitantes de fora, como tradicionalmente, nos dias assinalados, no 1.º de Maio é tradicional a população do Caniçal e de muitas outras partes da Madeira dirigirem-se para ali».
Depois, acrescentou ainda o governante, «há uma outra vertente que para nós é estratégica que é a seguinte: é fundamental abrir os espaços naturais à ligação, à articulação com a população. Nós defendemos uma política de conservação da natureza partilhada com a população. Aliás, isso é para além de ser estrategicamente adequado, no sentido de que é essa a filosofia que achamos importante, porque quem conhece defende melhor, quem conhece valoriza e é o guardiã do valor em causa, eu considero também que na Madeira é uma inevitabilidade».
E isto, segundo Manuel António Correia, devido «à nossa densidade populacional, a proximidade entre os espaços onde se exerce a preservação e a presença da população, e a pressão demográfica que aqui existe». Conforme explicou, «nós temos cerca de 350 pessoas por quilómetro quadrado, mais o facto de termos dois terços como área protegida, isso significa que num terço do território nós temos mais de mil pessoas por metro quadrado. Logo, é uma pressão demográfica muito grande, que obriga a ter estratégias como esta, de partilha, porque as pessoas estão próximas e a pressão demográfica significa pressão da população. E se isso não fosse bem gerido teríamos resultados muito nefastos para a qualidade de vida da população e também para a conservação dos valores. E este é um bom exemplo dessa articulação entre a criação de infra-estruturas que servem a população e que servem a defesa e valorização do património ambiental».
Para o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, isto é também «o estado de maturidade da conservação da natureza na Madeira. Nós orgulhamo-nos muito do que tem sido feito, associado à Autonomia, ao nível da conservação da natureza. Temos hoje projectos e gestão de espaços que são reconhecido internacionalmente. Temos a Laurissilva como património mundial, os modelos de gestão das áreas protegidas, a Rede Natura 2000, projectos de referência como a recuperação da colónia de lobos marinhos, da freira da Madeira, da Freira do Bugio, uma panóplia de projectos que nasceram e nos primeiros anos tiveram uma função de criar precedentes, de dar exemplos. Mas que hoje estão incorporados na sociedade».

Cerca de 160 caminhantes por dia

O secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais diz que a “Casa do Sardinha”, um trajecto pedonal que é feito, sensivelmente, em menos de uma hora, é procurado, em média, por cerca de 160 pessoas por dia, havendo mesmo dias em que esse número é largamente superior e que poderá ter a ver com o facto de estar tão próximo das populações.
De acordo com Manuel António Correia, «a conservação da natureza já não é ter um oásis de conservação, é ser transversal, é conservar a natureza onde quer que ela exista. E esta zona da Ponta de São Lourenço é um bom exemplo, porque é um espaço muito próximo da população, enquanto que as Desertas e Selvagens custa mais chegar lá e fazer o trabalho porque, tendencialmente, é mais fácil conservar — sem tirar qualquer mérito, pelo contrário, ao trabalho de conservação que é feito lá — mas hoje os madeirenses, a opinião pública, os cidadãos, responsavelmente, já integraram no seu conceito de cidadania a conservação da natureza e este é um excelente exemplo disso».

Áreas protegidas podem equiparar-se aos melhores museus

Para o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, locais como a Ponta de São Lourenço e outras áreas protegidas, são quase que uma espécie de museu vivos. De acordo com Manuel António Correia, «hoje, quando vamos às grandes capitais, como Madrid, Londres, Paris visitamos museus, onde podemos encontrar obras fabulosas. A Madeira tem, para além dos museus, tem museus naturais como este».
Em seu entender, «é possível, cada vez mais, que os naturais e os visitantes se dirijam a estes espaços e tenham a mesma atitude e a mesma motivação que temos quando visitamos esses museus das grandes capitais europeias, e que tenham as mesmas condições de conforto e de usufruto, como uma casa de banho, merchandising, informação, guias. Porque, sendo um objecto diferente, também exerce o mesmo tipo de apelo sobre as pessoas e até a mesma vantagem a nível da conservação, parece-me evidente que num museu, quando a obra está exposta, é melhor conservada».
E esse usufruto, conforme referiu Manuel António Correia, «leva a que as pessoas valorizem cada vez mais a obra. Eu acho que se pode fazer essa analogia entre os espaços naturais e os museus, e o usufruto da população. Tenho a certeza que os madeirenses e os visitantes ao visitarem estes espaços, precisam de ter condições para isso, como esta iniciativa mais recente do Parque Natural da Madeira demonstram isso, que é melhorar as condições de uso e de acolhimento», com a inauguração do Centro de Recepção da Ponta de São Lourenço, um investimento, que somado às melhorias introduzidas no percurso pedonal, com vários arranjos e melhoramentos, representaram um investimento que ascendeu a 400 mil euros.
Tudo isso, na opinião do secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, «contribui para a valorização dos espaços naturais que é no fundo aquilo que está subjacente a tudo isto».

O secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais diz que «hoje, quando vamos às grandes capitais, como Madrid, Londres, Paris visitamos museus, onde podemos encontrar obras fabulosas. A Madeira tem, para além dos museus, tem museus naturais como este».
 

 

 

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