Jornal da Madeira
 
Quinta-Feira, 2 de Setembro de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 
 

 

 

Jornal da Madeira / Região / 2010-08-01
Equipas de voluntários garantem a segurança e o bem-estar nas praias da Madeira prevenindo e intervindo dentro e fora de água
SANAS zela pelos banhistas
”O JORNAL da MADEIRA dá a conhecer, esta semana, um pouco do dia-a-dia dos nadadores-salvadores e dos socorristas que trabalham de uma forma voluntária nas praias da Região, através do SANASMadeira - Associação Madeirense para Socorro no Mar.
A Docas do Cavacas, no Funchal é um espaço para banhos onde as levadias são uma constante. São, por isso, mais do que uma forte razão para que esta praia esteja constantemente a ser vigiada por uma equipa de voluntários do SANAS.
É, sobretudo, quando o perigo espreita e quando é necessário procederem a um salvamento ou intervenção, que os banhistas sentem mais na pele a real importância desta equipa de voluntários.
O simples facto de estarem parados a observar, não será com certeza para verem apenas o ambiente mas, sobretudo, cuidarem de quem está dentro ou fora de água, para que nada de mal lhes aconteça, seja acidente ou fruto das mudanças do mar.

Levadias nas Poças são dor de cabeça

Nas Poças do Governador as levadias que invadem as piscinas naturais e a proximidade dos rochedos são as maiores dores de cabeça para os banhistas e para a equipa do SANAS.
Catarina Sofia, socorrista, Mário Gomes e António Miguel Freitas, ambos nadadores salvadores compõem a equipa resistente que todos os dias garante a segurança naquele complexo.
Voluntária pelo 6.º ano consecutivo no SANAS, Catarina Sofia faz apenas intervenções em terra. “A partir do momento que a pessoa goste, torna-se fácil”, apontou. Este ano, por enquanto apenas lhe têm chegado às mãos situações de arranhões e escoriações.
Mário Gomes presta serviço nas praias há alguns anos e é voluntário no Centro de Salvamento Costeiro situado por baixo da pista do Aeroporto da Madeira. Ingressou no voluntariado movido pelo “gosto de ajudar e de salvar pessoas” e por gostar do “mar”.
Diariamente, a equipa é confrontada pelos pais e idosos que os abordam com algumas questões mas são pessoas que não dão problemas. Quanto aos jovens gostam de correr mais riscos, de maneira que nem sempre dão ouvidos aos alertas que são feitos. Mesmo assim, este ano, ainda não houve incidentes a registar. António Miguel Freitas, apesar de ter uma actividade profissional, nesta altura oferece-se sempre como voluntário ao serviço do SANAS. “Desde que se esteja fisicamente bem preparado, eu julgo que é fácil”, confessou. Recentemente, interveio em grupo junto de dois turistas que aparentavam estar alcoolizados e que insistiam em “permanecer dentro de água”.
Este voluntário já sabe bem como funcionam as Poças. “Quando a maré enche, há sempre este efeito dentro da piscina natural e as pessoas que não se conseguem manter à superfície ficam um pouco nervosas com o descontrolo que se gera e os nadadores salvadores têm que intervir ou transmitir calma porque o mar tem os seus humores”.
O fenómeno acontece numa questão de segundos. Isso mesmo pudemos constatar, pelo menos, duas a três vezes enquanto permanecemos no local. A forte ondulação que surgia de repente apanhava a maior parte dos banhistas desprevenidos, sobretudo, os que tinham dificuldades para nadar.
Ao se aperceberem do fenómeno, os dois nadadores salvadores colocavam-se em posição, caso fosse necessário entrarem dentro de água para segurarem algum banhista que estivesse mais atrapalhado.
Logo de seguida, e após uma pequena conversa, a equipa decidiu hastear a bandeira amarela, que indica que os banhistas podem entrar na água mas não podem nadar.
Cientes do alerta, alguns banhistas saíam da água, mas os mais novos permaneciam, tal era a teimosia, apesar da advertência da equipa de voluntários.
Nuno Silva é o coordenador do SANAS; responsável pelas praias. Faz as escalas, deslocação de elementos, entrega e reposição de equipamentos, primeiros socorros e de nadadores. Enquanto acompanhava a reportagem do JM, explicou que as situações mais frequentes nas praias são as feridas ligeiras e profundas e escoriações devido às rochas.

Prevenção ajuda a reduzir acidentes

A prevenção tem contribuido para uma diminuição dos acidentes de grande escala nas praias da Madeira. Este ano, apenas se registaram pequenas intervenções com crianças e idosos, garantiu Nuno Silva.
O telefone de serviço que existe em cada praia permite o contacto rápido entre as equipas e a mobilização de meios. É o caso das motas de águas. Uma encontra-se nas Poças do Governador, outra na Calheta e outra foi recentemente para a Ponta Delgada. Há alguns dias uma das motas foi bastante útil para advertir um turista que já nadava fora da zona de segurança nas Poças do Governador.
A associação dispõe, ainda, de três cadeiras anfíbias (têm rodas e flutuam) para levar até dentro de água pessoas portadoras de deficiência. Uma está na Praia da Calheta, outra na Praia Formosa e outra foi oferecida recentemente pela Fundação Vodafone.
O nadador salvador António Miguel Freitas contribuiu para que, no ano passado um grupo de pessoas portadoras de deficiência tivessem um dia diferente, na praia e mostra-se disponível para repetir a experiência. A própria concessionária União Comercial disponibiliza, todos os Verões, uma viatura de apoio ao SANAS.
A associação está a investir em equipamentos com protecção ultra-violeta, como sejam os guarda-sóis e fez o pedido de apoio a algumas empresas ao nível de protectores solares para oferecer aos nadadores salvadores.

Regionalizar formação e mais regalias

O responsável pelo SANASMadeira - Associação Madeirense para Socorro no Mar salienta a importância que os nadadores-salvadores têm na Madeira, sobretudo, por ser uma região turística. “É um sinal real de uma região com segurança, principalmente, na orla marítima, uma imagem importante para o turismo e para a economia da Madeira”. Paulo Rosa Gomes sublinha a atitude pedagógica dos voluntários porque vai facilitar o socorro porque “a grande filosofia do SANAS é prevenir o acidente”. Esta matéria não é, contudo, abordada nos cursos de formação ministrados a nível nacional. Esta informação é dada posteriormente aos nadadores salvadores, para que saibam lidar com as pessoas, a par da educação ambiental, limpeza das praias e conhecimento sobre as bandeiras. Paulo Rosa Gomes gostaria qye a Região tivesse um “núcleo duro” de nadadores salvadores, que trabalhassem no SANAS durante muitos anos. O que acontece é que mudam de ano para ano conforme os cursos. Por vezes, é também difícil pagar a tempo e horas os quais carecem de algumas regalias sociais. O responsável do SANAS considera que esta situação decorre do facto de estar tudo centralizado em Lisboa tendo reiterado que é preciso valorizar a actividade do nadador-salvador e dar-lhes melhores condições. O afastamento geográfico entre a ilha e o continente faz com que, por vezes, seja difícil coordenar os horários e períodos dos cursos que são ministrados pelo Instituto de Socorro a Náufragos, para além do facto da divulgação ser feita em cima da hora. Paulo Rosa Gomes defende que esta é uma área que também devia ser regionalizada a exemplo da naútica de recreio e de outras actividades marítimas porque “o futuro está no mar”. A formação poderia ficar a cargo de entidades como o Serviço Regional de Protecção Civil. “O que nós queremos é mais e melhor formação”. Se mais voluntários houvesse seria mais fácil fazer a gestão dos turnos.

SALVAMENTO. Esta sequência de fotografias demonstra um das levadias a que o JM assistiu na Doca do Cavacas - Poças do Governador, onde foi necessária a pronta intervenção da equipa de voluntários do SANAS para tirar algumas pessoas do mar.
 

 

 

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