Quarenta por cento dos doentes coronários que entram nos cuidados intensivos do Hospital Central do Funchal (HCF) têm hipertensão arterial. Este número, divulgado ontem ao JORNAl da MADEIRA, pela cardiologista Eva Pereira, demonstra o quanto a hipertensão é um grave problema de saúde pública.
Ontem, assinalou-se, em todo o Mundo, o Dia da hipertensão. Ocasião para lembrar à população em geral, aqueles que são os compartamentos a ter no sentido de reduzir os riscos de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). Em declarações ao nosso jornal, a cardiologista referiu que o sal continua a ser a principal causa da hipertensão, muito embora existam outros factores, como o “stress”, o sedentarismo e alguma parte genética.
«Portugal é dos países da Europa que mais sal consome», adverte Eva Pereira, para logo adiantar que é urgente que as famílias comecem a habituar as suas crianças a alimentação saudável. «É preciso reduzir a quantidade de sal nos alimentos», apela. Por outro lado, é também importante a redução de gorduras na alimentação e a promoção de actividade física.
A médica defende também que é preciso que as pessoas tenham uma atitude mais optimista perante a vida, uma vez que o “stress” também ajuda na hipertensão.
Considerando que muitos dos hipertensos desconhecem, totalmente, o seu problema de saúde, Eva Pereira lamenta também que outros, os que sabem do seu problema, o ignorem e não usem os medicamentos que existem para combater a situação.
Eva Pereira aconselha a que, a partir dos 40 anos, todas as pessoas façam um check anual no sentido de fazer a despistagem de esta e outras doenças. Apela ainda aos fumadores para que ponham o cigarro de lado, uma vez que este é também responsável pela subida da tensão arterial.
«Grande parte da prevenção dos problemas de hipertensão está ao nosso alcance, quer na aplicação das medidas não farmacológicas, quer no tratamento da doença», afiança Eva Pereira.
Portugueses e Japoneses com mais AVCs
Um estudo realizado recentemente dá conta de que os japonses e os portugueses são dos povos com maior prevalência de AVCs. Instada a comentar esta informação, a cardiologista madeirense Eva Pereira considera que a causa deve estar no facto de, tal como os portugueses, os japonoses abusarem no sal. «Eles comem muito peixe e usam o sal para o conservar», refere a médica, a qual considera que o sal é, sem dúvida, o principal problema da hipertensão arterial.
O estudo, denominado “Jikey heart”, dá conta ainda que o tratamento com valsartan — um antagonista dos receptores da angiotensina II — reduziu em 39 por cento, o risco de mortalidade e morbilidade cardiovasculares e diminuiu em 40 por cento, o risco de AVCs de novo ou recorrentes. |
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