Jornal da Madeira
 
Quinta-Feira, 2 de Setembro de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 
 

 

 

Jornal da Madeira / 1ª Página / 2008-01-09
Vários assaltos foram registados este fim-de-semana
Santo António pede reunião à polícia
Este fim-de-semana, foram registados vários assaltos a residências e a estabelecimentos comerciais. Os montantes envolvidos são de pouca monta. Numa loja de ferragens, na Assomada, foram subtraídos 40 euros, fora os prejuízos causados com o arrombamento da porta. Já numa bomba de gasolina, também no Caniço, o meliante levou a caixa registadora com cerca de 130 euros em dinheiro.
Marcelino Andrade desdramatiza problema mas...
Junta vai pedir reunião ao novo comandante da Polícia na Madeira

O presidente da junta de freguesia de Santo António vai solicitar, ao novo comandante da Polícia de Segurança Pública da Madeira, uma reunião para saber sobre a disponibilidade de ser aberto o posto da PSP que foi criado nesta freguesia e que deixou de funcionar alegadamente por falta de efectivos.
Marcelino Andrade diz não compreender que, depois de criadas umas instalações com tão boas condições, não se esteja a fazer uso daquele espaço quando a população residente em Santo António é já de 40 mil pessoas. «A Câmara e a Junta recuperaram um espaço que estava degradado e criaram todas as condições para um posto da PSP. Acho estranho que o espaço esteja fechado», afirma.
Todavia, e quando instado a comentar a vaga de assaltos que tem assolado aquela freguesia do concelho do Funchal, Marcelino Andrade desdramatiza a situação referindo que, em qualquer parte do Mundo, quando há uma grande densidade populacional, existem focos de instabilidade, como problemas de delinquência.
«Com 40 mil pessoas aqui, com certeza que existem problemas. Não vamos tapar o sol com a peneira», sublinha o presidente da junta de freguesia de Santo António.
«Com o novo comandante, vamos insistir para a abertura do posto da Polícia de Segurança Pública. Pedi uma reunião ao comandante anterior mas o encontro não foi concedido. De qualquer maneira, vamos voltar à carga», refere o representante da junta de Santo António, o qual relembra que está sedeada na freguesia, 70 por cento da habitação social da Madeira.
O problema, segundo adianta, não está unicamente nos bairros sociais. No entanto, «há que acarinhar algumas das pessoas que vivem nos bairros sociais, que nos olham com desconfiança e que têm problemas na sua integração na sociedade», adianta ainda.
A situação, conforme realça, não muda de um dia para o outro e tal como acontece no resto da Região, os assaltos existem, os problemas existem.
«Numa grande cidade americana, com milhões de habitantes, deve haver mais problemas do que no Mónaco. Se esta freguesia é grande, é normal que existam mais problemas do que noutra mais pequena», afirma ainda o presidente da junta de freguesia de Santo António.


Assaltos a casas e estabelecimentos em várias zonas

Nos últimos dias têm sido registados vários assaltos na Região. Uma boa parte deles a residências, mas também a estabelecimentos comerciais de diversa natureza. Só no fim-de-semana, foram contabilizados perto de meia dúzia.
Um dos primeiros assaltos foi a uma loja de ferrajens na zona da Assomada, no Caniço. Jorge Teixeira, proprietário do estabelecimento, diz que o “larápio”, ou “larápios” — porque ninguém terá visto o assalto — entraram por arrombamento da porta. E, mesmo com o alarme, houve ainda tempo para subtraír a caixa registadora.
Conforme nos revelou, esta é a primeira vez que acontece uma situação desta natureza no seu estabelecimento. Porém, nas redondezas, diz que tem ouvido alguns particulares falarem de assaltos e tentativas de assalto.
A este propósito, relatou-nos um episódio de um senhor, na zona da Assomada, que estaria no jardim, a cuidar das plantas, quando a vizinhança o veio alertar de que estariam a tentar entrar na sua casa, ao que tudo indica, com o recurso a uma escada. Mas, garante, que outras situações têm sido registadas aqui e ali.
No caso do seu estabelecimento, diz que os larápios pouco levaram. Receando que isto um dia pudesse acontecer, Jorge Teixeira diz que tem por hábito deixar uma quantia muito pequena para fundo de caixa. Efectivamente, segundo nos revelou, os larápios terão levado cerca de 40 euros. Mais dispendioso terá sido o conserto da porta.
Um dado curioso foi o facto de Jorge Teixeira ter já recuperado a máquina registadora, dois dias depois, e sem o interior da gaveta da caixa, onde estava depositado o dinheiro.


Larápio disfarçado assalta bomba de gasolina

Depois do assalto à loja de ferrajens, foi também assaltada, na noite de quinta para sexta-feira, uma nova estação de serviço que abriu na antiga estrada do Aeroporto, também no Caniço, junto à subida para a Camacha.
Segundo apurámos, o meliante, — neste caso, tratar-se-ia apenas de um indivíduo — terá arrombado a porta do posto de abastecimento, de onde retirou a caixa registadora, com cerca de 130 euros em dinheiro.
Tudo isto, tal como nos disseram, terá ocorrido de madrugada, por volta das 3h30. O indivíduo foi “apanhado” pelas câmaras de vigilância, mas como vinha disfarçado não foi possível proceder à sua identificação.


Padarias não escapam aos assaltos
«A ocasião faz o ladrão»

Manuel Fernandes, que trabalha na área da panificação há mais de 40 anos, diz que várias lojas de venda de pão da empresa têm sido alvo de assaltos. Por isso, foram tomadas medidas. Pois, se a «ocasião faz o ladrão», foi preciso evitar algumas situações que atraíssem os amigos do alheio.
Num dos seus estabelecimentos, situado em Santo Amaro, foi retirado tudo aquilo que possa atrair a atenção dos larápios. Entre essas medidas, Manuel Fernandes aponta o telefone público, mas também as maquinetas com brindes para crianças. No fundo, tal como explicou, tudo aquilo que os larápios possam pensar que tem dinheiro.
Tratando-se de um negócio que, à partida, deve despertar pouco o interesse dos larápios, ainda assim, diz que a loja já foi assaltada algumas vezes. No mínimo, disse, podem levar um bolo, dois bolos, ou até vários bolos, pois o montante dos bens furtados acaba por ser ridículo. Mais sério é, porém, tal como nos confidenciou, os estragos que os meliantes causam.
Para este empresário do sector da panificação e pastelaria, esta é uma situação que há uns anos era impensável. E que nada tem a ver com a pobreza. Pois, tal como recorda, nos seus tempos de criança, havia também pobreza, talvez até bem pior que aquela a que assistimos hoje, «mas ninguém roubava, nem ninguém ouvia falar em assaltos».
Hoje, na sua opinião, os tempos são outros. Por isso, e fazendo juz ao provérbio de “casa roubada trancas à porta”, Manuel Fernandes diz que, actualmente, todas as lojas têm alarme e, além disso, evitam também atrair a atenção dos larápios, com algo que eles possam cobiçar.


Produto do assalto avaliado em cerca de 400 mil euros
Judiciária investiga caso

Um dos casos mais violentos e de maior relevo na Região, foi o assalto a uma ourivesaria na Estrada Monumental por dois encapuzados, em Outubro do ano passado.
Na altura, os indivíduos, com um machado, assaltaram a ourivesaria, em pleno dia, e levaram cerca de 80 relógios de marcas prestigiadas e outras peças de ourivesaria, totalizando cerca de 400 mil euros.
Segundo nos foi revelado, para já, o processo está a ser investigado pela Polícia Judiciária.
Tal como anunciámos na altura, além dos dois encapuzados havia um terceiro cúmplice que aguardava numa viatura, também ela furtada, para a fuga dos assaltantes, a qual foi depois localizada na zona dos Barreiros.
Nas imediações daquela ourivesaria, sabemos que alguns comerciantes, na sequência deste assalto, tomaram, entretanto, algumas medidas de precaução.





Marsilio Aguiar e Carla Ribeiro
 

 

 

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