O navio "Lobo Marinho”, que liga o Funchal e Porto Santo, apenas realizou oito das 16 viagens previstas entre 15 de Dezembro e 04 de Janeiro devido ao mau tempo, informou ontem a empresa Porto Santo Line.
"Esta é uma situação perfeitamente anómala desde que a Porto Santo Line iniciou a operação em 1995", disse à Agência Lusa Duarte Rodrigues, da administração da operadora, referindo-se ao mau tempo que tem dificultado as ligações. "Para se ter uma ideia, basta referir que a operação tem uma média de apenas três a quatro cancelamentos de viagens por ano", salientou.
Duarte Rodrigues reconheceu que o problema "não está na travessia entre as duas ilhas, que poderá ser mais ou menos agradável para os passageiros, mas sim nos ventos que dificultam a atracagem no Porto Santo". Todavia, disse não considerar que "o porto da ilha esteja assim tão inadequado", lembrando que a mesma situação "ocorre frequentemente nas barras do Continente" e que, "mesmo no porto do Funchal, houve neste fim de ano dificuldades na atracagem de um navio de cruzeiro".
O responsável admitiu "um considerável prejuízo para a empresa e para o Porto Santo, porque transportou menos turistas" mas desvalorizou o impacto no abastecimento de carga na "ilha dourada".
"A maioria das empresas de distribuição precaveram-se e, apesar de nos primeiros dias as coisas não terem corrido muito bem, com a armazenagem que fizeram não houve dificuldades de maior", disse.
Opinião diferente tem o presidente da Associação Comercial e Industrial do Porto Santo (ACIPS), para quem a "ilha sofreu a falta de alguns bens essenciais devido aos recentes temporais que inviabilizaram as ligações marítimas com o Funchal".
Em declarações à Agência Lusa, António Castro disse que "faltaram bens como leite, iogurtes e hortaliças frescos", devido à dificuldade de o navio "Lobo Marinho", da Porto Santo Line, atracar no porto da "ilha dourada". Por outro lado, António Castro referiu que o problema sentiu-se mais "porque alguns empresários ainda pensam apenas no lucro imediato e não fazem uma melhor gestão".
António Castro não deixou de criticar o "Governo da República por não considerar como prioritária a redução dos preços dos transportes aéreos entre a Madeira e o Porto Santo".
"É inadmissível que um portosantense pague 80 euros por ida e volta ao Funchal ou que um madeirense ou continental pague 140 euros nas ligações da SATA", isto numa viagem de cerca de 15 minutos.
A situação parece estar agora a melhorar em termos de condições meteorológicas e Duarte Rodrigues está crente que, a partir de hoje, a operação comece a decorrer com normalidade.
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