A Rússia "não compreende" o anúncio pela Roménia de que vai receber elementos do novo escudo antimíssil norte-americano na Europa sem que tenha havido qualquer discussão prévia, segundo afirmou, ontem, o embaixador da Rússia em Lisboa.
"Depois de os EUA terem abandonado os planos para um escudo antimíssil na Polónia e na República Checa, estas questões devem ser discutidas entre os EUA, a UE e a Rússia antes de qualquer decisão", afirmou Pavel Petrovskiy, numa conferência de imprensa.
"É claro que não entendemos a posição da Roménia. Essa declaração, assim, sem aviso", frisou.
A Roménia anunciou, na quinta feira que vai receber intercetores de mísseis balísticos no âmbito do novo projeto de escudo antimíssil dos EUA na Europa, anúncio que foi confirmado no mesmo dia pela administração norte-americana.
O novo projeto foi apresentado em setembro pelo presidente norte-americano, Barack Obama, após uma reavaliação do primeiro, que previa a instalação de componentes na Polónia e República Checa e suscitou forte oposição da Rússia.
Sobre as relações da Rússia com a NATO, em concreto a nova doutrina militar aprovada, na sexta-feira, pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, o diplomata disse que no documento "não é dito "que a NATO é uma ameaça", mas apenas que "o alargamento da NATO até às fronteiras russas cria alguns problemas de segurança" à Rússia.
Petrovskiy, que falava aos jornalistas por ocasião do Dia do Diplomata, que se assinala na Rússia a 10 de fevereiro, disse, por outro lado, que a iniciativa de Medvedev para um Tratado de Segurança Europeia "não exclui a NATO" e considera aliás a Aliança Atlântica "uma das organizações principais no contexto da segurança europeia".
O embaixador frisou, no entanto, que essa iniciativa passa por discussões "com as diferentes organizações e não com uma só", com o objetivo de criar um clima de confiança no espaço euro-atlântico e instrumentos juridicamente vinculativos garantindo o princípio da inviolabilidade das fronteiras.
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