Jornal da Madeira
 
Quinta-Feira, 2 de Setembro de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 
 

 

 

Jornal da Madeira / Desporto / 2010-06-07
Andorinha consagra-se como o primeiro grande vencedor da III Divisão Série Madeira. Descem ao Regional, o Porto Moniz, Porto da Cruz e o CF União
Andorinha voa para a II Divisão
Foi uma tarde de intensas emoções na Série Madeira. Na luta pelo título, partiam para a última jornada com esse sonho, o Caniçal e o Andorinha. O Caniçal cumpriu a sua obrigação, ao vencer o Câmara de Lobos, mas o Andorinha que apenas dependia de si próprio, com muito sofrimento, ultrapassou o Ribeira Brava e consagrou-se como o primeiro vencedor da Série Madeira.
No final, Nélson Calaça afirmava que “acreditei nos jogadores do princípio ao fim. Tinha a convicção que iria dar a avolta ao jogo. Sabia da qualidade deste grupo e da vontade que tinham de vencer. Sabia que seria um jogo difícil, pois o Ribeira Brava tem muito valor. Penso que este título é justo para nós”. Quanto ao seu futuro, Nélson Calaça foi cauteloso, afirmando que “vou primeiro festejar e depois logo se verá”. Nélson Calaça alcançou o seu primeiro título. “É um sentimento muito bom. Vivi um sentimento muito idêntico, quando conseguiu que o Santana não descesse de divisão”. A concluír, o técnico campeão endereçou os agradecimentos “a massa associativa, que nos apoiou sempre”.
O presidente da colectividade Dúlio Martins de uma forma emocionada, afirmava que “este é um trabalho que já vem do passado. Melhorámos algumas coisas. Mas este ano tivemos o cuidado e a calma de mudar o que havia de mudar e conseguimos formar uma equipa campeã”. Confrontado quando à continuidade de Nélson Calaça asseverou que “ele só não fica se não quiser. Penso que tem todas as razões para querer continuar a ser o treinador do Andorinha na II Divisão Nacional”. Quando questionado relativamente a um sentimento de dúvida que o possa ter assolado ao longo da partida, Dúlio Martins assegurou que “com esta equipa técnica e este grupo, tudo é possível. Antes do jogo, foi à cabina e fiz saber a todos, que acreditava até ao fim. Fomos campeões”. O presidente do Andorinha disse ainda, que “a mudança da equipa técnica foi fundamental. Com todo o respeito pelo Duarte Correia que foi uma pessoal espectacular, na construção desta equipa, mas o Nélson Calaça veio dar o que era preciso para ser campeão”.
Para a próxima época, fazendo fé em Dúlio Martins “é ponto assente que o Andorinha estará na II Divisão na próxima época. Só uma hacatombe impedirá isso”, afirmou.
Flávio é o “capitão” da equipa e uma das suas principais figuras. “Ficaremos na história deste clube. É a segunda vez que conseguimos ascender à II Divisão Nacional e estou muito feliz com isso. É um título maravilhoso”, considerou. Quanto ao futuro assegurou ser sua “vontade o de permanecer neste grupo, que é excelente e que tem muita qualidade”.
Gonçalinho foi uma das figuras da partida. O atleta do Andorinha, considerava no final que “o mais importante era ganhar e só isso nos passava pela cabeça. Foi uma época fenomenal”.
Já em Câmara de Lobos o desalento entre a comitiva do Caniçal era evidente. A equipa cumpriu com a obrigação de vencer o jogo, mas acabou por ver o Andorinha sagrar-se campeão. “Morremos na praia, mas não morreu ninguém e a vida continua. É inglório e frustante perder o campeonato por um golo, mas temos capacidade de olhar em frente e levantar a cabeça”, sintetizou o treinador Luís Teixeira, afirmando estar “orgulhoso por todo o trabalho da direcção e dos jogadores até à última jornada”.

Com emoção até ao fim...

O Andorinha partia para esta partida, sabendo que apenas dependia de si próprio para poder consagrar-se vencedor da III Divisão Série Madeira.
Os primeiros 10 minutos foram electrizantes, com oportunidades em ambas as balizas. Nesse período foi o Ribeira Brava quem chegou ao golo, numa infelicidade de Barbosa. A resposta não tardou e poucos minutos volvidos, Sandro de canto directo restabelecia a igualdade. A partir daí, a partida entrou numa fase de maior contenção, embora sendo sempre o Andorinha o conjunto mais perigoso. Aos 34’, Gonçalinho centrou e Ricardo Chíxaro cabeceou ao poste. Aos 42’, após uma jogada envolvente, Nélio Santos surgiu isolado, mas importunado por Bruno Freitas rematou ao lado. Contudo, já bem perto do intervalo, Celsinho num bom momento lançou um verdadeiro “balde de água fria” nas hostes do Andorinha.
A segunda metade foi disputada com grande emoção. O Andorinha tudo fazia para dar a volta ao resultado, perante uma equipa do Ribeira Brava muito digna e que lutou pelo melhor resultado até ao fim.
O técnico do Andorinha arriscou lançando um avançado, João Santos e retirando o lateral-direto Rúben. O Ribeira Brava aproveitou esse maior balanceamento ofensivo dos visitantes e em rápidos contra-ataques poderia ter causado danos.
Todavia, aos 69, o árbitro assinalou grande penalidade, numa disputa entre Emanuel Malho e Nélio Santos. Gonçalinho com grande serenidade voltou a transmitir esperança. Já bem perto do final e na sequência de uma bola parada, gerou-se alguma confusão com a bola a tabelar num jogador do Ribeira Brava e a entrar na baliza de Bruno Freitas. Era a locura dentro e fora do recinto, com a festa a ter a côr azul.

Porto da Cruz e CF União acompanham Porto Moniz

Na luta pela descida, a única equipa que partida para a derradeira jornada com o seu destino traçado era o Porto Moniz que mostrou claramente, ser o elo mais fraco desta prova. Na luta pela sobrevivência, apenas Machico partida com a certeza que mesmo perdendo não desceria de divisão.
No final, a “fava” coube ao Porto da Cruz que ao perder no recinto do Canicense traçou o seu destino, depois de uma segunda fase muito positiv. A estes, juntou-se o CF União que mesmo empatando no Porto Moniz, não conseguiu afastar o seu destino. Depois de uma primeira fase algo positiva, nada fazia antever o descalabro que seria esta segunda fase, que culminou com a descida ao regional. O 1º de Maio depois de uma primeira fase periclitante, a formação do Palheiro Ferreiro acabou a época em grande, vencendo esta série de descida.
Por fim, as formações do Cruzado Canicense e da Associação Desportiva de Machico acabaram a época com um mal menor, assegurando a manutenção na III Divisão Série Madeira, embora se pudesse esperar muito mais destas duas equipas.

JF

Capitão Cláudio ainda abriu janela da esperança

A equipa do Caniçal cumpriu com a obrigação de vencer o Câmara de Lobos, mas acabou por morrer na praia pois o Andorinha, adversário directo na luta pelo título, também triunfou frente ao Ribeira Brava e assim manteve o primeiro lugar na derradeira jornada da Série Madeira. Ainda assim durante um longo período da derradeira jornada do campeonato o Caniçal foi líder, pelo desenrolar do marcador do outro jogo do título, mas no final da partida o desalento entre os homens de leste era evidente pois perderam o título pela diferença de um golo.
Algumas centenas de espectadores assistiram a um jogo que não teve grande qualidade, sendo notório alguma ansidedade em alguns jogadores do Caniçal com perdas de bola nas transicções e algum nervosismo no sector mais recuado.
O Caniçal assumiu o controlo do jogo nos primeiros minutos e pertenceu-lhe as maiores oportunidades para abrir o marcador. Numa das descidas até à área camaralobense Cláudio foi travado em falta por Hugo e o árbitro não teve dúvidas em assinalar grande penalidade. Corria o minuto sete da partida. O capitão assumiu a responsabilidade de converter o “penalty”, mas atirou ao lado do poste contrário para onde o guarda-redes se atirou para desespero dos colegas de equipa e espanto do irmão Rúben Micael, médio do FC Porto, que assistiu ao jogo.
Apesar deste desperdício, a equipa de leste continuou a carregar o último reduto dos anfitriões com Cláudio e Bruno Carvalho a serem perdulários no finalização. Já sob o apito para intervalo Cláudio aproveitou uma falha de Nuno Oliveira à entrada da área para ganhar a bola e rematar sem hipótese para Luís Pestana e abrir o activo. Um golo que valia a liderança, pois o Andorinha perdia em Gaula.
A etapa complementar foi mais bem disputada e com um Câmara de Lobos mais dinâmico e a dar mais trabalho à defensiva do Caniçal que continuava a dar mostras de algum nervosismo. Com vantagem no marcador a equipa de Luís Teixeira foi gerindo os acontecimentos e tentando ampliar o resultado para evitar ser surpreendida com algum golo do Câmara de Lobos. O procurado golo da serenidade surgiu, de facto, mas já sob o apito final e quando o Andorinha já vencia e nada havia a fazer. O 2-0 teve assintura de Celso (89) na sequência de pontapé de canto, mas nem foi festejado tal o desalento que os jogadores patenteavam pelo desenrolar da outra partida que interessava para a luta pelo título. Triunfo justo do Caniçal, mas que não foi suficente para cmprir com o grande objectivo: ser campeão e ascender à II divisão.

Carlos Silva
 

 

 

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