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ÉLVIO HENRIQUES DE JESUS
Servir a comunidade e garantir qualidade
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Celebrou-se, no passado dia 12 de Maio, o Dia Internacional do Enfermeiro, dia do aniversário natalício de Florence Nightingale, fundadora da enfermagem moderna e profissional. Para este ano, o Conselho Internacional de enfermeiros (ICN) adoptou o lema “Servir a comunidade e garantir qualidade: os enfermeiros na vanguarda da inovação dos cuidados”.
De facto, ao longo da história, os enfermeiros têm sido vanguardistas e inovadores em muitas situações de variada natureza, desde a clínica à tecnológica, ao desenvolvimento de novos métodos e técnicas de organização e de prestação de cuidados personalizados e de proximidade às pessoas, famílias e comunidades. Sempre com o objectivo de obtenção de mais-valias em saúde e de optimização dos também sempre finitos recursos disponíveis.
A inovação é central para a melhoria contínua da qualidade dos cuidados. E os enfermeiros têm inovado na procura e na descoberta das melhores formas de promover a saúde, de prevenir as doenças e nas metodologias e mais adequadas tecnologias de melhor cuidar e curar.
Referindo o exemplo pioneiro de Florence Nightingale, um documento do ICN especialmente preparado para este dia, apresenta o seu clássico estudo sobre a morbilidade maternal após o nascimento da criança. Observando o elevado número de mortes de mulheres nas enfermarias hospitalares após o parto, Florence formulou a seguinte e aparentemente simples questão: Será que morrem mais mulheres após o parto no hospital do que em casa? E se sim, porquê?
A procura de resposta para esta interrogação evidenciou uma taxa de mortalidade mais elevada no hospital, resultando na implementação de medidas inovadoras com consequentes mudanças nos serviços, as quais se traduziram no salvamento de muitas mulheres.
Outros exemplos de inovação são igualmente referidos pelo ICN e outros tantos poderíamos entre nós, na RAM, enumerar. Todavia, porque os tempos que actualmente vivemos exigem de todos nós o incremento de soluções para novos desafios e problemas, alguns deles artificial, intencional e desnecessariamente criados, ficaremos pela menção de algumas sugestões que entendemos passíveis de realização no curto prazo, para os Cuidados de Saúde Primários.
Conforme refere o ICN, os enfermeiros encontram-se numa posição única para identificar factores de risco, providenciar informação acerca do modo mais apropriado de gestão desses mesmos riscos e da divulgação dos benefícios da adopção de estilos de vida saudáveis e evitação de comportamentos de risco.
A componente central dos Cuidados de Saúde Primários é o conceito de processo e desenvolvimento comunitário. Definidos, respectivamente, como sendo o processo de sucessão de interacções positivas ou negativas e padrões de relacionamento entre os membros da comunidade que vivem e funcionam lado a lado numa determinada localidade ou área geográfica e o crescimento e expansão conseguidos pela comunidade. Assim, a organização dos cuidados de enfermagem nos nossos Centros de Saúde não poderá descurar a vertente familiar e geodemográfica, na procura das melhores respostas em cuidados de saúde de proximidade.
De acordo com um estudo de Hughes (2006), os enfermeiros prestam 80% dos cuidados primários de saúde, verificando-se este percentual ainda superior para a totalidade dos cuidados. Trabalhando muito perto com as comunidades, o seu papel na promoção da participação da comunidade na melhoria dos níveis de saúde e de bem-estar afigura-se como sendo crucial para a consecução de comunidades saudáveis e para o desejável e necessário desenvolvimento sustentado.
Neste sentido, defendemos como urgente a conclusão do processo de implementação do enfermeiro de família, por área geográfica, por o considerarmos indispensável à garantia da qualidade dos cuidados aos cidadãos e ao facto de ser conforme com as evidências científicas, normas profissionais, técnicas e boas práticas de enfermagem.
Afinal, em nosso entender, tal não se verifica incompatível com a proclamada vontade de implementação da equipe de saúde (se efectivamente centrada no cidadão e não na vaga noção de “medicina familiar ”, entenda-se, por vezes, “lista do médico”, visitador esporádico do domicílio do utente; ou “freguesia”, que pode ir do mar à serra), como recentemente anunciado pelo SESARAM.
E que, além disso, de um verdadeiro trabalho de equipa se trate, definindo-se adequadas proporções e combinações de profissionais de acordo com as reais necessidades das comunidades locais e que, paulatinamente, também a maior parte dos clínicos para uma verdadeira intervenção familiar e comunitária evolua, como de resto as necessidades e a adequação das respostas de cuidados globais, personalizados, contínuos, de proximidade e de qualidade assim o aconselham!
Enfermeiro |
Artigo de Opinião de : Élvio Henriques de Jesus
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