Jornal da Madeira
 
Domingo, 1 de Agosto de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 

 

Jornal da Madeira / Opinião / Data de Publicação: 2009-09-06


ÉLVIO HENRIQUES DE JESUS
Gripe A
 


AOntem realizou-se no Funchal um painel sobre Gripe A - H1N1 2009 -, com a participação do Director-Geral da Saúde, Dr. Francisco George, do Coordenador da Linha Saúde 24, Enfermeiro Sérgio Gomes, do Dr. Maurício Melim e Enfermeira Ana Clara, Presidente e Vice-presidente respectivamente, do IA-Saúde IP-RAM, destinado a todos os profissionais e estudantes da área da saúde, e para o qual foram convidados diversos responsáveis da saúde regional, associações de utentes e profissionais da comunicação social.
Tratou-se de um contributo da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Enfermeiros no sentido da preparação dos profissionais, serviço e sistema regional de saúde para que, em conjunto com os cidadãos, todos possamos colaborar numa melhor resposta aos desafios que o evoluir deste fenómeno pandémico poderá colocar.
Embora este texto tenha sido escrito antes da realização do evento, o que nos impossibilita de revelarmos as suas principais conclusões, gostaríamos no entanto de referir alguns dos aspectos que nele esperamos ver debatidos.
Em primeiro lugar, dadas as responsabilidades e saberes profissionais dos diversos participantes, todos teremos com certeza a oportunidade de ouvir e aprofundar os aspectos de natureza técnica, epidemiológica e organizativa mais actuais, a nível internacional, nacional e regional.
Segundo, dados os objectivos do painel, todos teremos, igualmente, a oportunidade de debater e colocar questões bem como algumas das nossas inquietações num ambiente multiprofissional e interdisciplinar, relativamente ao modo como se prevê esta situação irá evoluir.
Por último, e não menos importante, o fenómeno da Gripe A será, deste modo, largamente abordado, em simultâneo, com o envolvimento de profissionais e responsáveis aos diferentes níveis de intervenção: prática clínica, organizações (prestadoras e reguladoras), serviço e sistema de saúde, de âmbito regional e nacional.
Não obstante o anteriormente referido, gostaríamos de partilhar algumas das nossas actuais inquietações, a primeira das quais vai para a necessidade de melhorar o trabalho em equipa. Um modo imprescindível de garantia da segurança e da qualidade dos cuidados de saúde preconizado há décadas pela Organização Mundial de Saúde, embora, incompreensivelmente, tão actualmente dificultado nos nossos contextos organizacionais.
Um outro aspecto gostaríamos ainda referir: a percepção de que algo necessita de rapidamente ser melhorado no que se refere à articulação entre entidades de tutela política, reguladoras, técnicas e prestadoras de cuidados. Uma conjugação de esforços tão imprescindível para que as respostas em saúde (todas) se verifiquem, efectivamente, de qualidade, seguras, eficientes, eficazes, equitativas e sustentáveis.
Enfim, embora tudo indique que a Gripe A não será tão letal quanto os outros tipos de gripe sazonal, o certo é que se trata de um novo agente infeccioso, que praticamente não encontra pessoas competentemente imunizadas para lhe fazer face, com a consequente capacidade de infectar um maior número de indivíduos. Além de que teremos sempre de contar com as possíveis e previsíveis modificações genéticas que normalmente acontecem na nossa natureza.
Neste sentido, a informação, a educação e os incentivos ao cabal exercício de uma verdadeira cidadania e reforço do poder de decisão dos cidadãos são aconselhados. A elaboração de planos de saúde e de contingência são também requeridos aos diferentes níveis organizacionais e até mesmo familiar, assim como a transparência e o assumir de responsabilidades por parte de todos os envolvidos nos processos de saúde, sejam eles utentes, profissionais ou gestores e decisores políticos.
Não deixando sempre de considerar o facto de que em saúde os recursos, por oposição às necessidades, serão sempre limitados. O que implica uma acrescida responsabilidade na sua distribuição e fundamentação objectiva e científica para eventuais desvios na sua utilização, pois não poderemos esquecer das outras determinantes da saúde, algumas das quais de maior gravidade e mortalidade.
Para tal, dada a natureza, preparação, altruísmo, responsabilidade, disposição para a mudança, proximidade pessoal e geográfica dos cidadãos, das famílias e das comunidades, que tanto caracterizam o exercício profissional dos enfermeiros, podemos uma vez mais afirmar que com eles, trabalhando em equipe ou a nível individual, poderemos todos contar. Apenas necessitando que os deixemos responsável e livremente trabalhar!

Enfermeiro



Artigo de Opinião de : Élvio Henriques de Jesus

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