Jornal da Madeira
 
Terça-Feira, 9 de Fevereiro de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 

 

Jornal da Madeira / Opinião / Data de Publicação: 2009-10-17


GILBERTO TEIXEIRA
A Madeira tem de corrigi-los
 


AA impossibilidade de um verdadeiro diálogo com Lisboa tem de ser corrigida. É um facto que os madeirenses estão divididos e que essa divisão é fruto de revoltas domésticas e de insatisfações pessoais. Só que não se pode gerir uma Região Autónoma de improviso, muito menos a toque de caixa de alguém. Historicamente, há a ideia de que o madeirense é individualista, não gosta de associar-se ou não sabe viver essa condição, por diversas razões que assentam num passado de cariz colonial.
Admitamos que há qualquer coisa que representa mais do que um projecto de abertura, um projecto inovador que conduza à união dos madeirenses, para depois soltarmos as amarras e ir de encontro a quem tem o poder em Lisboa, ou fazer que esse alguém que se acha dono do País venha ao nosso encontro.
Ao longo da noite eleitoral de domingo, ficou bem patente, que os senhores da capital, desde jornalistas a comentadores e a diversos políticos de todos os quadrantes, trataram o País com aquela legenda bem conhecida de que o “importante é Lisboa e o resto é paisagem”. Os próprios comentadores da RTP, sentiram essa sensação e Marcelo corrigiu Vitorino exactamente por estarem a laborar nesse erro.
Imagine-se que os municípios do Funchal e Ponta Delgada foram relegados para segundo plano até que a novidade eleitoral em termos de resultados, atacou como “formiga branca” para que se dignassem fazer um breve e desconfiado olhar sobre as Regiões Autónomas. Os Açores porque o PS conseguia uma proeza inesperada, e a Madeira onde os 11-0 foram condimentados por vitórias da oposição em cinco Juntas de Freguesia, além de um movimento de cidadãos “Juntos pelo Povo” ter demonstrado que foi possível colocar a Câmara de Santa Cruz sob olho.
Óbvio que não vou comentar absolutamente nada das eleições, porque existem outros mais habilitados a fazê-lo, mas assinalar vários factos que revelam que não há “papões” em política, e tal como dizia Rui Rio, não se ganham nem se perdem eleições em duas semanas. A Madeira tem bons motivos para dedicar-se um pouco mais a alguns aspectos que gravitam em torno dos partidos.
A vitória esmagadora do PSD pela 43.ª vez é motivo de regozijo para muita gente, face a estas maiorias substanciais. Mas não significa que ganhar por dez, seja igual a ganhar por vinte. Há que constatar que se fizeram algumas coligações, que resultaram, pelo que interessa analisar esses projectos e qual a dinâmica que os envolveu.
Saber as causas de novo e estrondoso fracasso eleitoral do PS da Madeira, que é mais preocupante do que se possa imaginar, ainda que os “verdadeiros” responsáveis se escondam por detrás desse ser humano que nos parece um bem intencionado, que há uns anos mandou umas “bocas” de mau gosto, simplesmente reprováveis, e que lhe trouxe amargos de boca, encontrando-se agora a apanhar o lixo de estratégias falhadas, confuso, atordoado, chocado e humilhado que dá pelo nome de João Carlos Gouveia.
É que se a esquerda existe em Portugal e, viu-se a união dessa esquerda com Mário Soares, Jorge Sampaio, Manuel Alegre e tantos outros nomes sonantes feita em torno da candidatura de António Costa em Lisboa, essa esquerda não existe na Madeira. O PS reduziu-se à sua ínfima expressão neste acto eleitoral. O PCP sempre disfarçado de CDU, foi um desastre absoluto face à organização de que se orgulha ter. O Bloco de Esquerda sucumbiu de forma assombrosa, deixando-se ultrapassar por pequenos grupos.
À direita e apesar de pequeninos êxitos do CDS em zonas onde a sua implantação era conhecida, surge o PND aquela criação de Manuel Monteiro para manter-se num poder que lhe falta, a afiar as garras em Câmara de Lobos, por obra e graça do senhor Coelho, e a conquistar um Vereador na Câmara do Funchal, lugar que será ocupado por Gil Canha.
Para quem percorre as televisões do Continente e estaca na SIC a ouvir esses génios da ciência política desde Ricardo Costa, a António José Teixeira, Luís Delgado, Mário Bettencourt Resendes e outros talismãs da colecção de Pinto Balsemão, que escrevem e se duplicam no EXPRESSO, não tem dúvidas de que a Madeira tem de tentar corrigi-los. É que o episódio da zaragata na inauguração das obras em torno do Tecnopólo, foi analisado e dissecado por aqueles especialistas em manipulação, de forma acintosa e verdadeiramente imbecil.
Eles conseguiram aquilo que era impensável, mas que sucedeu no futebol, quando um árbitro, de nome Francisco Silva, foi irradiado da arbitragem, acusado de corrupção, sem que ninguém tivesse identificado o corruptor! O episódio indecente e inapropriado da Madeira, “tratado” por eles, teve um actor que se portou mal, e os figurantes da desordem, da arruaça, simplesmente não existiram. Até o Juiz Barreto que se exprimiu como havendo “excesso de liberdade” foi condenado pelos “juízes” de ocasião António José Teixeira e Martim Avilez Director do jornal “I”.
Os sábios até viram que Manuela Ferreira Leite perdeu as eleições legislativas por ter vindo à Madeira elogiar Alberto João Jardim. Esqueceram-se dos elogios de Jaime Gama, do Presidente da República e de episódios piores que devem ter estado na origem da morte do Professor Sousa Franco, da pancadaria entre socialistas e oeirenses adeptos de Isaltino, e esquecerão aquele candidato socialista que matou a tiro de caçadeira, o marido da candidata do PSD a uma Junta de Freguesia, lá para os lados de Mondim de Basto.



Artigo de Opinião de : Gilberto Teixeira

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