Jornal da Madeira
 
Terça-Feira, 9 de Fevereiro de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 

 

Jornal da Madeira / Opinião / Data de Publicação: 2009-10-26


ALBERTO JOÃO JARDIM
Agora...
 


Terminou um ciclo de três eleições, todas convincentemente ganhas pelo PSD na Região Autónoma da Madeira.
Nas eleições para o Parlamento Europeu, os autonomistas sociais-democratas sentam o único Madeirense aí presente, apesar de numa percentagem do total de eleitores europeus, matematicamente não nos caber qualquer lugar.
Nas eleições para a Assembleia da República, não só o PSD retoma os seus quatro Deputados, como o adversário principal, o partido socialista, perde dois.
Nas eleições autárquicas, os sociais-democratas mantêm todas as Câmaras Municipais, mais do que no início do processo democrático. E nas Juntas de Freguesia, para além do número esmagador de quarenta e nove em cinquenta e quatro, trata-se de cinco Freguesias nenhuma delas urbana (de cidades), na sua dimensão legitimamente resultantes de escolhas pessoalizadas que até, por isso mesmo, não jogam com os resultados do PSD noutras eleições com objectivos diferentes.
Creio que ao fim de trinta e três anos de responsabilidade ininterrupta do Partido Social Democrata pela governação regional, os resultados são “obra”, são excepcionais. E isto apesar da hostilidade contínua da poderosa comunicação “social” nacional, bem como da maioria da regional – será isto “asfixia democrática”, tal como a Oposição eleger naturalmente cinco Juntas de Freguesia distribuídas por três formações políticas diferentes?... – e sobretudo depois da indecente instrumentalização partidária do Estado, pelo partido socialista, para represálias político-financeiras, para já não falar do comportamento de alguns Serviços, poucos, da República.
Afinal, a vontade dos Madeirenses pode chegar quase ao impossível.
Acresce o facto de o maior Partido português, e nosso adversário principal porque sempre “o partido de Lisboa”, ter ficado reduzido a uma também pequena organização partidária, numa situação sem precedente, de momento absolutamente descredibilizado e nem sequer tendo conseguido concorrer em todas as Freguesias, o com quase zero votos nalgumas.
E, por outro lado ainda, foi possível estabelecer um Conceito de “Arco Autonómico”, envolvendo o CDS, à direita do PSD, e o Partido da Terra, à “esquerda” daquele, eventual reserva credível para garantir que, por muitos anos, nem a “esquerda” radical – na Madeira, o PCP, o “bloco” e PS, todos na prática, localmente a mesma coisa - nem a extrema-direita, entrarão no controlo do Poder regional e local.
De facto, é “obra”, por muito que os que não gostam dos autonomistas sociais-democratas andem por aí torcidos de raiva e consumidos pelo o ódio.
Não perceberam que não é este o seu caminho para a credibilidade.
Não dão que tal atitude permanente, durante trinta e cinco anos, lhes causa perturbações que podem entrar no domínio da patologia psíquica.
Têm os autonomistas sociais-democratas, uma vez mais e cada vez mais intensamente, de agradecer ao Povo Madeirense por maioritariamente nos ter sempre feito confiança ao longo destes trinta e quatro anos, desde as eleições para a Assembleia Constituinte, em 1975.
Têm os autonomistas sociais-democratas de também agradecer aos que votaram em Partidos da Oposição, sempre ou algumas vezes, a responsabilidade com que vêm participando na vida cívica do arquipélago, não caindo no comodismo da abstenção e valorizando a nossa vida democrática num desmentido inequívoco das baboseiras e desonestidades do “Rectângulo” sobre “asfixia democrática”.
Asfixia que existe, sim, naquelas zonas litorais da Península Ibérica, nomeadamente pelos abusos de poder, pelos escândalos, pelos conluios ilegítimos, nomeadamente económicos, pelas represálias políticas, etc., a que se assistiu principalmente nos últimos quatro anos. Pelo facto de, ao contrário das restantes Democracias europeias e americanas, em Portugal não haver pluralismo na comunicação “social” de âmbito nacional, toda esta alinhada na pseudo-“esquerda” e nem sequer sendo isenta.
Depois ainda nos acusam de “asfixia democrática”, quando foram os socialistas que pretenderam fechar o “Jornal da Madeira” e algumas rádios privadas!...
O Primeiro-Ministro fala agora de “diálogo”.
Vejamos se não é só Propaganda, como nos antecedentes.
Da nossa parte, Ele sabe, porque eu disse-Lhe, que primeiro está o Interesse Nacional articulado com o Interesse Regional, e só depois é que entra isso dos Partidos.
Tem obrigação de já ter percebido que não pode, nem deve, embarcar nas idiotices dos seus indigentes “camaradas” locais, sejam os da socialmente rafeira “terra queimada”, sejam os da inócua e oportunista “esquerda caviar”.
Como também o Senhor Presidente da República tem de ser mais interveniente na “questão da Madeira” – e quando foi, fê-lo bem – procurando incentivar o “diálogo” a que o Primeiro-Ministro se diz propôr.
Três tarefas tem agora o Partido Social Democrata.
A primeira, a de encontrar e de estabelecer motivações que façam muitos dos abstencionistas crónicos passarem a participar democraticamente na vida cívica da Região Autónoma.
Segunda, encontrar melhores argumentos, melhores práticas, e ainda melhores concretizações de políticas, que levem os que votam na Oposição, sempre ou por vezes, a transferir uma maior confiança para e nos autonomistas sociais-democratas.
Terceira, a imprescindível e inadiável reflexão partidária interna até à Primavera de 2011, sobre a qual não me vou alongar mais do que sobre ela, até agora, disse e escrevi.
Seja qual for o futuro a que tenho legítimo Direito de opção – Direito fundamentado nos resultados do PSD ao fim de trinta e quatro anos de eleições e de trinta e três de governação ininterrupta que mudaram o arquipélago, com quarenta e três vitórias e ainda com a existência necessária de uma Fundação Social Democrata da Madeira, dotada de importante património, - em duas coisas já me comprometi pessoalmente: exercer o meu mandato até à posse do futuro Governo Regional e estar sempre à disposição para o que a próxima Comissão Política Regional queira.

* * *

É uma coisa MENOR em relação ao que acima alinhavei.
Que diabo, o PCP que até no quadro político nacional actual eu considero um interlocutor táctico, ainda não percebeu que nada ganha em conspurcar as ruas com os seus cartazes?
Para quê estragar as cidades – eles ou outros quaisquer, a começar pelo PSD – quando está mais do que demonstrado que isso não faz ganhar votos, se calhar pelo contrário?
Dada a tontice da legislação da República Portuguesa, no seio das Câmaras Municipais não será possível estabelecer um acordo entre todos os Partidos sobre locais de afixação de propaganda, em condições iguais para todos e que não agridam Ambiente, Paisagem, Salubridade e a própria Segurança de Peões e de Automóveis?
Que diabo...



Artigo de Opinião de : Alberto João Jardim

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