Jornal da Madeira
 
Domingo, 1 de Agosto de 2010
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 

 

Jornal da Madeira / Opinião / Data de Publicação: 2010-02-04


GILBERTO TEIXEIRA
Dificuldades tremendas
 


Temos de liquidar imediatamente, custe o que custar, este movimento colonialista contra a Madeira, que é duma indignidade cívica intolerável. É preciso muita coragem para o fazer, mas quando se esvai o diálogo, e sobressaem hipócritas negociações, há que enfrentar quem está a atentar contra as nossas vidas e os nossos haveres.
Há que ser lúcidos, convocando os homens e as mulheres desta terra perseguida, para a unidade que está aberta a todos, alertando o Governo da República para as realidades que vivemos, dispostos a construir uma Madeira livre de tutelas, e de ataques inqualificáveis à nossa condição de portugueses, genuínos. Discriminações recusam-se. Partidarização do Estado e violências verbais, rejeitam-se. Entendam-se.
Há que promover acções de luta que envolvam todas as organizações democráticas, para que se reforce a aliança, a cooperação e a solidariedade entre aquela sociedade madeirense que não tem filiação partidária, na sua esmagadora maioria. Há um divórcio e uma barreira de ódio de elementos deste governo socialista, contra a Madeira. Os factos estão à vista de todos. Não são necessárias acções clandestinas como no passado. As perspectivas futuras são de uma acentuada guerra colonialista por desejado confronto de Sócrates contra João Jardim.
Os indicadores da propaganda socialista revelam propósitos esquisitos e sem autenticidade. Há assessores trabalhando 24 horas por dia para fabricar material de propaganda negativa contra a Madeira. São actos isolados, para estabelecer a confusão entre os portugueses e dar a imagem de que somos gastadores, mascarando os interesses em jogo. Ninguém espere por milagres que lhe venham a oferecer de bandeja.
O que a Lei de Finanças Regionais veio provar, em bases realistas e irreversíveis, é que a Madeira e os madeirenses continuam a ser espezinhados pelos colonizadores que montaram uma fabulosa máquina de propaganda, que custa mais ao Estado, do que o montante que têm a transferir para a Madeira. E que ninguém tenha receio de falar em traições, porque há sempre os que se aproveitam destas situações políticas, para intensificar e aprofundar campanhas de desinformação ignóbeis.
A Madeira tem todo o direito de exigir, hoje, a escolha dos caminhos justos e equilibrados de uma social-democracia, em que possam coexistir, na solidariedade, os ideais de liberdade e de igualdade. A subversão que grassa na generalidade da comunicação social, é a demonstração clara de quem provoca sentimentos de insurreição, que podem gerar revoltas, quando menos se espera e muito menos se deseja. Estamos fartos dos comentadores facciosos, em jornais, telejornais e programas televisivos ditos de informação e análise política, gente que se revela furibunda e omnipotente, porque protegidos e pagos por este Poder, demasiado comprometido com objectivos claros de extermínio do Poder madeirense.
Vale a pena começar com poucos como sucedeu com a chamada “ala liberal” em 1969, pequeno núcleo de deputados da antiga Assembleia Nacional, formado por Francisco Pinto Balsemão, Sá Carneiro, Miller Guerra, Magalhães Mota e Correia da Cunha, que lutavam em defesa de liberdades fundamentais.
Sá Carneiro lutou contra as arbitrariedades e desmandos da PIDE/DGS com firmeza e convicção, contra velhas raposas do regime salazarista, como Cazal Ribeiro e Henrique Tenreiro. E apesar dos diálogos entre eles serem bastante duros, o fundador do PSD nunca recuou nos seus propósitos de defender os presos políticos, sobretudo aqueles que estavam no regime prisional da Cadeia de Caxias. O 25 de Abril deu-lhe razão.
Hoje, os madeirenses são prisioneiros políticos deste regime socialista, que não reconhece ao povo o direito de se desenvolver, modernizar, viver com comodidade, sem complexos, preconceitos ou inibições. Numa cadência alucinante, o regime socialista implantado na República, chantageia e ameaça com uma crise política, por ter de dar à Madeira 163 milhões de euros, que foram apurados pela Unidade Técnica de Apoio ao Orçamento da Assembleia da República.
Este Governo socialista pela voz entusiástica do “mata e esfola”, Ministro Teixeira dos Santos, vendeu a ideia de que, internacionalmente, ninguém iria compreender a transferência desses milhões de euros para a Madeira, porque prejudicaria o equilíbrio das contas públicas, e a redução do deficit (monstruoso) criado pelo próprio Governo socialista e que foi escondido dos portugueses porque houve eleições. Há quem peça a demissão de Ventura Garcês por ter escondido ao Parlamento a dívida real da Madeira. E porque não pedem ao Ministro Teixeira dos Santos para se demitir pelo mesmo motivo e por ter mentido ao País sobre a LFR? E que dizer do primeiro-ministro que justifica o congelamento dos salários da Função Pública com o facto de terem sido aumentados 2,9% no ano passado. Pudera. Houve eleições.
Quem se der ao luxo de escrever uma minuciosa biografia de certos homens, ficará confuso com os respectivos comportamentos. No passado os impostores assassinaram centenas de milhares de inocentes em Auschwitz convencidos que tinham todo o Poder do mundo. São bestas humanas que temos dificuldade em compreender. As gritantes contradições, numa absoluta e cruel desconsideração pelo povo madeirense, que sofre por causa de feras que ameaçam sufocar-nos até estrebucharmos de agonia lembram-nos mentalidades nazis.
As dificuldades são tremendas mas será inútil pensarem que estamos destruídos. É improvável que isso aconteça, ainda que permaneçam em cena, muitos esbirros e alguns estúpidos contorcionistas que fazem o jogo dos colonizadores, atraiçoando o grandioso povo desta terra.



Artigo de Opinião de : Gilberto Teixeira

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