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GILBERTO TEIXEIRA
Façamos de conta que o PSD está unido
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Enquanto se faz a leitura do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) que está resumido em oito folhas A4 distribuídas pelo Governo na ronda de conversações que realizou com todos os partidos com assento parlamentar, temos de ter paciência para aturar um fim de semana de transmissões televisivas dedicadas ao Congresso do PSD.
Fartámo-nos de ver os debates entre os candidatos à liderança do maior partido da oposição, com os jornais e as televisões sempre com os mesmos comentadores, a puxarem a brasa à sardinha dos seus interesses ideológicos e outros pessoais e profissionais.
Felizmente que a RDP está numa renovação de comentadores que só engrandece quem a dirige e orienta, no sentido de renovar, inovar, dar frescura a espaços de comentário que necessitavam de outras visões, outros horizontes. Ganham os ouvintes, e triunfa a RDP, porque demonstra que sabe fazer rupturas em prol duma informação plural.
Agora que o PEC afastou a possibilidade de nos próximos dois anos, não se concretizarem as linhas de TGV para o Porto, mas sim o troço que liga Lisboa a Madrid, já se ouviu a reclamação do edil do Porto. Rui Rio tem de perceber que é errado não querer aceitar os resultados eleitorais e devia sentir-se capaz de mostrar confiança nos eleitores, o que significa confiança na democracia.
É verdade que Portugal continua a ser Lisboa e o resto é paisagem. É verdade que o Ministro das Finanças disse que o Porto estava moribundo, e pode assim continuar por opções dele e de outros Ministros, que sendo oriundos do Norte não conseguem alterar esse panorama de deslumbramento por Lisboa, sempre que são chamados à governação.
Mas também é verdade que as gentes do Norte sempre foram críticas em relação a Lisboa e que em anos sucessivos, devido sobretudo ao Presidente da Câmara do Porto o socialista Fernando Gomes, houve uma promiscuidade enorme entre futebol e política gerando um bairrismo doentio entre presidentes de clubes, que fizeram uso dos partidos na caça ao voto. Sabe-se o que aconteceu com vários casos judiciais, envolvendo os principais líderes dos clubes do Norte e ao que isso conduziu.
Sabe-se igualmente que Fernando Gomes fez da Câmara Municipal a casa das festas do F.C. do Porto, numa atitude irresponsável que criou conflitos e deixou perplexa muita gente. Coube ao dr. Rui Rio enfrentar ao ainda líder do F.C. do Porto, cortando-lhe as vasas em vários domínios, desde as festanças dos títulos, aos apoios financeiros sob diversas formas.
Enquanto as guerras duraram e honra seja feita, o dr. Rui Rio venceu-as todas com legitimidade democrática e coerência de atitudes, outros problemas se levantaram, porque o Porto Região é feito de gente de barba rija que tem os seus pergaminhos.
Aquilo que impressiona nos lamentos de Rui Rio é o facto de mostrar-se agastado com o governo sediado em Lisboa e não se rebelar contra aquilo que é o PSD actual, onde tem um papel preponderante, e por razões certamente atendíveis, não deu um murro na mesa, de molde a unir o que está desunido. E se repararmos que os candidatos à liderança do PSD são do Norte, concluímos facilmente que a divisão só favorece Lisboa.
Hoje, os militantes do PSD, sabem que só haverá um governo social-democrata quando o socialismo cair de podre, porque os considerados bons para liderar fogem a sete pés dessa mistura explosiva de mitos semelhantes a Rui Rio. Diz-se que seriam os melhores para assumir a liderança e um dia atingir o Governo. Mas no fundo preferem comodamente gerir grupos de interesses, ideológicos ou não e eliminarem os seus próprios conterrâneos, por motivos fúteis e de vaidade pessoal, de que é exemplo um afastamento entre Rio e Meneses.
A vida interna do PSD tornou-se estéril, desinteressante, incapaz de produzir ideias. Todos têm reservas sobre outros e não há dúvida que os antigos como Ângelo Correia, hoje em dia, dão-se ao luxo de promover candidatos a líder como é o caso de Pedro Passos Coelho. Mas só quem não conhece as ambições e os interesses de Ângelo Correia é que pode acreditar que Pedro Passos Coelho reúna as condições para liderar o ainda maior partido da oposição.
Os grupos estão alinhados, e só não se sabe como vão portar-se as bases. Seja qual for o desfecho, e a menos que surja uma qualquer vaga de fundo em torno de alguém que possa emergir como factor de unidade e de confiança, o partido eleja quem eleger estará pronto para receber novas ligaduras, para suportar as fracturas que estão expostas neste momento.
Alguém tem de acordar da sonolência em que caiu o PSD fruto dum labirinto que se instalou com a saída de Durão Barroso para a União Europeia. Com ele saíram muitos e ficaram os das querelas, dos conflitos, dos pergaminhos, das classes mais snobes de Lisboa até Cascais e dos figurões do Norte que emergiram, fazendo finca-pé, de que eles é que trabalham para Lisboa rebolar-se de mordomias.
O PSD de agora está construído numa pirâmide invertida, de baixo para cima, quando devia fixar objectivos exactamente ao contrário. A páginas tantas o povo que se vai confrontar com mais dose forte de sacrifícios injustos, já não está anestesiado por Sócrates, mas sim pelos desavindos figurões do PSD que com todo este espectáculo de fim de semana, ajudam os socialistas a dar passos em frente, sem discussão. |
Artigo de Opinião de : Gilberto Teixeira
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