Jornal da Madeira
Edição de Terça-Feira, 9 de Fevereiro de 2010
 
 
Edição de
 
Jornal da Madeira Carta ao Director Jornal da Madeira
 
 
Suplemento / Revista Olhar / 2007-09-22
Computação Afectiva e Inteligência Artifical
Computadores também sentem…
O homem sempre quis ir mais longe, é curioso por natureza e pretende atingir aquilo que presentemente possa parecer inatingível. Há um grupo futurista que leva as tecnologias ao extremo, sempre na procura de melhores invenções e resultados. O propósito é comum: melhorar cada vez mais a qualidade de vida das pessoas no trabalho, no lazer, nos tempos livres, entretenimento, em casa e até, para os mais solitários, ter no computador uma companhia que reaja.

Falar com um computador como se estivesse a falar com um amigo, porque este entende as suas emoções é um dos cenários futuros da relação entre o homem e a máquina. E não se trata de ficção científica, tipo os filmes “Inteligência Artificial”, “Matrix” ou “I Robot”.
O homem sempre quis ir mais longe, é curioso por natureza e pretende atingir aquilo que presentemente possa parecer inatingível. Há um grupo futurista que leva as tecnologias ao extremo, sempre na procura de melhores invenções e resultados. O propósito é comum: melhorar cada vez mais a qualidade de vida das pessoas no trabalho, no lazer, nos tempos livres, entretenimento, em casa e até, para os mais solitários, ter no computador uma companhia que reaja.
A Computação Afectiva é sinónimo dessa relação mais pessoal entre o ser humano e os computadores. O tema foi recentemente debatido em Lisboa, na segunda conferência mundial sobre Computação Afectiva, que reuniu vários investigadores internacionais num debate sobre esta área que procura criar computadores com emoções e expressões cada vez mais semelhantes ao homem.
A Computação Afectiva reúne várias áreas para criar computadores que reajam de forma o mais humanamente possível. "A ideia é criar situações em que o computador, as personagens dos jogos, etc., reajem de uma forma afectiva e estabelecem relação com o utilizador, percebem o seu estado emocional e respondem de acordo com a expressão facial do interlocutor", disse à agência Lusa Ana Paiva, responsável pela organização da II International Conference on Affective Computing and Intelligent Interaction 2007 (ACII 2007), considerada a maior conferência mundial sobre o tema.
Neste momento, ainda não é possível ter em casa um robot como o 'Twiki', o cómico amigo e companheiro na série televisiva de ficção científica "Buck Rogers", mas já é possível ter, pelo menos, um computador que reconhece o nosso estado de espírito e nos recebe com um sorriso quando chegamos a casa. "São algoritmos inspirados na forma como os humanos agem e que fazem com que os computadores sejam o mais humanos possíveis", acrescentou.
Várias áreas colaboram para transformar cada computador num amigo cada vez mais à imagem e semelhança do homem. Os especialistas presentes em Lisboa eram de áreas como a Ciência da Computação, Inteligência Artificial, Computação Gráfica, Robótica, Comunicação Pessoa-Máquina, Processamento de Língua Natural e Visão.
Um computador 'rico' em qualidades afectivas pode, por exemplo, "reconhecer expressões na face, na voz, nos gestos, nos sinais fisiológicos" do interlocutor e depois responder com emoções, dentro do mesmo contexto. "Queremos criar computadores que reconhecem e expressam emoções e tenham algoritmos cada vez mais inteligentes, que lhes permitam reagir com os humanos de forma natural, como um humano reagiria", conclui.
A computação afectiva pode ajudar a uma 'boa relação' com o computador lá de casa, mas também tornar a televisão mais interactiva, simular mundos virtuais e personagens animados, ajudar no entretenimento, programas educativos e em todas as áreas das telecomunicações.
Além de comunicações, na conferência foram apresentados cerca de 120 trabalhos científicos "cuja credibilidade foi revista antecipadamente" por colegas da comunidade científica, além de 'workshops' e aulas temáticas.

“FearNot!” e “iCat Chess Player”
ajudam crianças

A título de exemplo, foi apresentado o 'FearNot!', programa criado em Inglaterra que usa técnicas de computação afectiva para gerar situações que ajudam crianças vítimas de agressão por colegas na escola ("bulling") a aprender a lidar com o problema.
"Actualmente, há a ideia de vir a ser desenvolvida a parte que permite uma versão portuguesa deste software, mas para já só existem a versão inglesa e alemã", explica Ana Paiva.
Foi ainda apresentado o 'iCat Chess Player', que ajuda as crianças a jogar xadrez, usando um 'robot' para interagir com o jogador, capaz de perceber o estado de espírito do utilizador quando está a jogar.
Portugal tem muitos investigadores de referência a trabalhar nesta área. Na conferência estiveram representantes do Instituto Superior Técnico (IST), Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID), Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e Universidade de Coimbra (UC).
Destacaram-se ainda as presenças dos especialistas norte-americanos Rosalind Picard (MIT Media Lab, Cambridge), Andrew Ortony (Northwestern University, Chicago) e Jaak Panksepp (Bowling Green State University, Ohio), assim como Klaus Scherer (Universidade de Geneva, Suíça), Cristiano Castelfranchi (ISTC-CNR- Institute of Cognitive Sciences and Technologies, Itália) e William Gaver (Goldsmith College, Universidade de Londres, Reino Unido).

Inteligência
Artificial

Por outro lado, a Inteligência Artificial é um tema que também está na ordem do dia e numa evolução constante graças ao trabalho de vários investigadores. Realizou-se recentemente em Portugal a “9ª European Conference on Artificial Life - ECAL 2007' que, de acordo com um dos organizadores, Fernando Almeida e Costa, procurou ser “uma conferência interdisciplinar".
"Foi a maior conferência do mundo nesta área, que já vai na nona edição, e estiveram presentes os maiores peritos mundiais em inteligência artificial, mas também de outros campos", salientou. "Reuniram-se peritos em domínios como a robótica evolutiva, que se inspira em modelos neurológicos, a biologia computacional, que estuda os próprios fenómenos biológicos, e as ciências cognitivas, que procuram entender os processos cognitivos como fazendo parte do processo biológico", explicou Fernando Almeida e Costa, investigador no Centre for Computational Neuroscience and Robotics, na Universidade de Sussex, no Reino Unido. Entre os especialistas presentes, Almeida e Costa destacou o convidado especial Brian Goodwin, "uma referência e uma personalidade controversa dos últimos 30 anos".
Actualmente professor no Schumacher College, no Reino Unido, e membro do quadro de directores do Instituto de Santa Fé, Novo México, o biólogo estruturalista Brian Goodwin abordou o tema "Artificial Life and Biology" ('Vida Artificial e Biologia').
Um encontro que culminou em perspectivas de novas investigações e entreajudas para a evolução da inteligência das máquinas que nos rodeiam…

Captar emoções humanas para vender produtos e para a condução

No ano passado, cientistas da Universidade de Canbridge, em Inglaterra, apresentaram um programa de computador capaz de captar as emoções humanas, com o objectivo de detectar o estado de espírito de alguém por meio de suas expressões faciais. "Um computador emocionalmente consciente tem muitas aplicações comerciais. Imagine um computador que possa detectar o momento emocional exacto para tentar lhe vender algo, um futuro no qual os telemóveis, carros e websites poderão ler nossas mentes e reagir aos nossos humores," profetizou na altura Peter Robinson, um dos construtores do novo sistema que, de acordo com as previsões, poderá ser aplicado dentro de quatro a cinco anos.
O programa, ligado a uma câmara, localiza e monitora 24 pontos faciais, como a ponta do nariz, as sobrancelhas e os cantos da boca. posteriormente, define movimentos faciais — como o balançar da cabeça, o levantar das sobrancelhas e um repuxo nos lábios — que foram identificados como representativos de emoções definidas.
Os cientistas utilizaram actores para treinar o sistema de reconhecimento facial, de modo a tentar ampliar a sua base de dados de gestos e emoções, utilizando "pessoas reais".
E, tendo em conta que cada pessoa expressa os seus sentimentos de maneira diferente, outros cientistas ligados ao mesmo projecto mas da Universidade norte-americana MIT, utilizaram câmaras portáteis fixadas no pescoço dos voluntários que, no dia-a-dia, iam fornecendo várias informações para o programa.
Segundo os investigadores, uma das potencialidades deste programa será ao nível dos automóveis e da segurança de quem dirige e de quem está nas ruas.
Monitorizando o humor do motorista, os carros do futuro poderão ajustar a potência e a aceleração do veículo para que um momento de raiva ou tensão não se transforme numa tragédia. Emoções mais complicadas, como confusão ou cansaço excessivo, poderão até mesmo impedir que o veículo funcione.
 

Revista Olhar

 

 

 

 

www.jornaldamadeira.pt : Sobre nós | Publicidade | Mapa do Site | Adicionar aos Favoritos | Colocar como Homepage | RSS | Ajuda
Jornal da Madeira - Edição Impressa : Publicidade | Contactos
Empresa Jornal da Madeira, Lda : Ficha Técnica | Contactos
 
Copyright © Empresa Jornal da Madeira, Lda 2001 - 2010. Todos os direitos reservados.