l A Olhar teve o prazer de se fazer acompanhar pelo “vozeirão da Madeira”, num passeio que teve início no Centro Cultural de Belém, passando pelos Jardins de Belém e à boa moda Lisboeta, é claro que nos sentámos à conversa na companhia dos tão famosos Pastéis de Belém. Após o nosso passeio por Belém, rumámos ao centro da Cidade de Lisboa em direcção ao Teatro Tivoli, onde nos esperava o Luís Sousa (namorado da Vânia e concorrente da OT3) e também a concorrente da OT3 Joana. Vânia, Luís e Joana desceram a Av. da Liberdade, passando pelos Restauradores, Baixa - Chiado, depois subiram em direcção aos Armazéns do Chiado e sempre a ritmo de passeio foi até ao Largo de Camões. Passado algum tempo o sempre animado e divertido grupo aumentou com a chegada do Jonas e da Jessica (concorrentes da OT3), bem como da Professora Catarina, entre outros amigos. Constatámos que mesmo depois de terminada a Operação Triunfo, Professores e Concorrentes continuam a encontrar-se regularmente, sempre em ambiente de grande festa e descontracção.
Resta-nos referir que a reportagem do JM, passou toda a tarde de quarta-feira com a Vânia e com o passar das horas a entrevista foi acumulando agradáveis surpresas.
Olhar – Como têm sido estes dias após o fim da Operação Triunfo?
Vânia Fernandes – Para já têm sido muito bons. Tenho sentido o reconhecimento nas ruas por parte das pessoas, nos telefonemas… Tenho passado os dias a atender os telefonemas da imprensa e tem sido muito divertido.
Olhar – Quais são as melhores recordações que guardas da Operação Triunfo?
V.F. – São muitas, são muitas. Principalmente são os momentos que passei em grupo, com os meus colegas, todos juntos, todos malucos na Escola. Os momentos com os Professores, as amizades que nós guardamos são muito boas. Com a Produção e com a Realização, todas aquelas pessoas que não aparecem à frente das câmaras, mas que estão lá, ajudaram a tornar esta experiência única e muito mais bonita do que eu estava à espera.
Olhar – Em que aspectos é que a Operação Triunfo contribuiu para a tua formação enquanto cantora e pessoa?
V.F. – Enquanto cantora, ajudou-me bastante a traduzir-me como artista, a compreender que gosto de muitos estilos musicais e que não tenho que fazer uma opção agora e nem tenho de escolher um caminho, pois posso deixar em aberto e tentar misturar várias coisas e encontrar a minha sonoridade, pois deu-me a liberdade de pensar, de experimentar… Pessoalmente fez-me encontrar novos grandes amigos, ganhei grandes amizades para a vida.
Olhar – Com que estilo musical mais te identificas?
V.F. – Acho que não tenho que me identificar, nem de me traduzir já em um estilo concreto. Eu gosto de várias coisas, gosto de cantar várias coisas e gosto de ouvir outras variadíssimas coisas. Gosto muito de ouvir música clássica, rock… Cantar, gosto de fado, jazz, música brasileira… Gosto de tudo o que tenha qualidade, acho eu. O mais difícil agora vai ser fazer a mistura dessas várias sonoridades, com o intuito de encontrar a minha. Penso que irei recorrer à tal “música do mundo”, que está a despontar agora, pois acho-a bastante rica. Acima de tudo tentar criar uma coisa minha, usando as sonoridades dos vários estilos.
Olhar – Quais são as tuas referências ao nível de cantores e compositores?
V.F. – Tenho várias referências. Algumas das grandes “divas” são sem dúvida a Sara Bondi e a Bili Holiday no Jazz, Amália Rodrigues, Cristina Branco, Mafalda Arnauth, Ana Moura e Mariza no Fado, na música Clássica o Stravinski, Chopain, Beethoven, Debussi, relativamente à pop os Coldplay, Jonh Legend, Dona Maria na música portuguesa... gosto mesmo de muita coisa, a minha listagem é mesmo muito grande.
Olhar – Qual a tua opinião relativamente ao mercado musical português?
V.F. – Acho que está a crescer, está a começar a ganhar algum espaço e isso tem a ver com as pessoas, tem a ver com a educação musical das pessoas. As pessoas começam a reconhecer a música de qualidade, começam a consumir música de qualidade. As músicas não tem de ser muito bem construídas, muito complicadas, para serem bonitas, a simplicidade pode ser bonita. Na minha opinião, a música bonita e de qualidade é aquela que é muito honesta, que chega até nós, que nos diz qualquer coisa, aquela com que nos identificamos, aquela que realmente sentimos.
Olhar – Para quando um disco da Vânia? Com participações especiais?
V.F. – Para já um dos prémios da Operação Triunfo é a gravação de um disco. Para a próxima semana saberei se o meu primeiro trabalho será um disco predefinido ou se será um disco de raiz, seja como for, se não for desta que faça um trabalho de raiz, espero que seja no próximo. Gostava muito de fazer um trabalho muito original com várias sonoridades e com muitas participações especiais. Relativamente às participações especiais, gostava de realizar algumas com amigos meus da Madeira, entre outras pessoas por quem muito apreço tenho.
Olhar – Fechou-se a porta da Operação Triunfo, mas muitas portas abriram-se com a tua vitória. Fala-nos um pouco de como será a tua vida daqui para a frente?
V.F. – Não faço a mínima ideia ainda, ainda não caí na realidade. A minha vida será dividida entre a Madeira e o Continente. Na Madeira já tenho agendado alguns espectáculos, entre os quais um concerto de agradecimento. Só me resta esperar por essas portas e caso elas não venham ao meu encontro, irei eu ao encontro delas.
JM – As pessoas quando te encontram na rua que dizem, que fazem, qual a reacção?
V.F. – Normalmente as pessoas dão os parabéns e acima de tudo as pessoas sentem que já nos conhecem, é tudo muito familiar e muito engraçado.
Olhar – O que é que achas que os portugueses esperam de ti?
V.F. – Acho que esperam música, música de qualidade. Esperam que eu continue a cantar mais e melhor, que continue a dar tudo o que eu tenho e que faça todos os possíveis para continuar a evoluir.
Olhar – A Madeira é a terra que te viu crescer. Tencionas mudar a tua residência para o continente onde existem mais oportunidades musicais?
V.F. – A Madeira será sempre a minha terra. Mesmo que passe dois anos a estudar noutro sítio, a minha casa será sempre a Madeira. Penso que num futuro próximo terei que me dividir entre Lisboa e Madeira, devido aos espectáculos e não só, mas a Madeira é a Madeira, é a minha terra.
Olhar – O Luís faz parte do teu futuro? Em que aspectos?
V.F. – Sim, sim faz parte do meu futuro. Estamos a viver uma relação muito saudável, estamos a ir aos poucos. O Luís ainda não conhece a Madeira mas um dia destes vai lá.
Olhar – Existe um conjunto de pessoas e entidades que querem homenagear-te. Como encaras seres “o símbolo do sonho das pessoas” – como tu anteriormente nos disseste?
V.F. – É uma grande honra. Eu sou uma pessoa comum, uma pessoa normal como todas as outras, apenas tive sorte na oportunidade que surgiu. É uma honra ser o símbolo e a esperança de muitas pessoas e espero ser um exemplo daquilo que pode acontecer às pessoas, a qualquer pessoa. Continuo a ser a mesma, apenas tive sorte e isso pode acontecer a qualquer um, só têm é de querer.
Olhar – Com elogios a serem-te dirigidos por diversas personalidades da música, televisão, teatro… que sentes? Como encaras esses elogios?
V.F. – Eu e os elogios não nos encaramos lá muito bem. Gosto de fazer algo e de poder dizer que fiz o meu melhor, mas daí a dizer que foi bom, encarar tal facto e de autoavaliar como uma coisa boa, vai um passo muito grande. Normalmente não fico satisfeita com o que faço, mas quando me são dirigidos elogios fico contente e sinto que é um reconhecimento, mas não sou de ficar com os mesmos gravados na minha cabeça, unicamente uso-os quando preciso de força. Acima de tudo, tento não pensar muito nos elogios, pois acredito que o artista vale pelo momento presente e não pode nunca valer pelo que fez no passado. Não posso orgulhar-me de uma coisa que já aconteceu, tenho é de trabalhar para conseguir manter a expectativa das pessoas e não decepcioná-las, tentar superar-me a mim mesma, por isso elogios para mim são uma grande responsabilidade.
Olhar – Tens noção que actualmente és uma Figura Pública. A imprensa e fãs não te dão descanso. Como encaras esta situação?
V.F. – Ainda não senti realmente essa situação. Não tenho fãs, sou uma pessoa normal, igual a qualquer outra e quando me abordam na rua, considero-os amigos e não fãs. Nós trabalhamos para o público, sem este nós não fazemos nada, daí eu considerar o público como amigos.
Marco Freitas
marco_freitas_69@hotmail.com |
|
|